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Catarina Salgueiro Maia reage a críticas sobre homenagem ao seu pai

A filha do capitão de Abril Salgueiro Maia, a viver no Luxemburgo há quatro anos, disse à Lusa que foi “convidada” a sair de Portugal pelo primeiro-ministro Passos Coelho, lamentando a situação atual do país, que compara ao terceiro mundo.

Catarina Salgueiro Maia, de 29 anos, recebeu este sábado uma homenagem do BOM DIA ao seu pai, o capitão de abril Salgueiro Maia. Catarina disse que deixou Portugal em 2011, ano em que a ‘troika’ chegou a Portugal e “em que o primeiro-ministro aconselhou as pessoas a ganhar experiência no estrangeiro”, ironizou, recordando os apelos do governo à emigração. Com o marido desempregado e um filho asmático, a filha do capitão de abril decidiu procurar trabalho no estrangeiro.

“O meu marido esteve seis meses sem trabalho e foi quando decidimos arriscar. Ele tinha cá família e acabámos por decidir vir”, contou Catarina Salgueiro Maia à Lusa, durante o jantar de homenagem ao pai, em que também participaram o deputado socialista Paulo Pisco e o cônsul de Portugal no Luxemburgo.

“Eu saí do meu país, porque precisava de estabilidade financeira para criar o meu filho, que é asmático, e o medicamento não é comparticipado em Portugal, apesar de ser uma doença crónica”, explicou.

“Uma consulta de alergologia no hospital público demora cerca de dois anos e meio, e nem vou falar dos idosos que morrem nas salas de espera, é um horror”, lamentou, considerando que “Portugal, neste momento, é um país terceiro-mundista”. “Às vezes digo que o meu pai, lá em baixo, deve estar às voltinhas no caixão. O meu pai lutou por uma democracia, por um país livre, correto, aberto”, recordou, lamentando que hoje haja “pessoas a passar fome, idosos que, ou comem ou tomam medicamentos, e pessoas que são postas na rua, por não poderem pagar a renda”.

Esta e outras declarações tiveram todo o tipo de reações nas redes sociais e levaram Catarina Salgueiro Maia, voluntária do BOM DIA há cerca de um ano, a responder no facebook este domingo à tarde: “pelos vistos atingi muita gente com as minhas afirmações. Pelos vistos, ainda há muita gente que tenta tapar o sol com a peneira. Nunca vivi de tachos e por essa mesma razão, emigrei e orgulho-me muito disso”, afirmou.

E Catarina Salgueiro Maia vai mais longe, explicando que não tem ligações políticas. “Quando falei na expressão de Pedro Passos Coelho, foi ironicamente, ilustrando, dessa forma, o valor que é dado em Portugal a quem por ele tenta lutar!”, esclareceu.

Para terminar a portuguesa emigrada no Luxemburgo afirma: “se incomodei, óptimo! Não era essa a intenção mas é bom sinal!”.