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Carta aberta (porque fechada não se poderia ler) à seleção de Portugal sobre a minha mãe 

© Lusa

A minha mãe não percebe nada de futebol.

Não sabe quais são as melhores táticas, ou o que este ou aquele jogador deveria fazer para dar o melhor de si, a não ser, jogar com paixão e amor à camisola.

Em jogos internacionais, se Portugal ganha, ela enche-se de alegria e orgulho. Se perde… fica triste como a noite, segundo as suas próprias palavras.

A minha mãe não percebe nada de futebol, mas… é portuguesa, e, quem quer que seja, que engrandeça o nome de Portugal no mundo, para ela é motivo forte de orgulho e admiração.

A minha mãe não percebe nada de futebol, não entende de táticas e essas coisas, mas sabe que o Cristiano Ronaldo é o melhor do mundo.

Falam dele nos quatro cantos do planeta, mesmo que, ao que segundo parece, o planeta seja redondo.

Um rapaz que nasceu no seio de uma família humilde e que conquistou o mundo com a sua força de trabalho, persistência e muita perseverança. Muito amigo e protetor da mãe e de toda a família. 

E isto para dizer que este último paragrafo transcreve aquilo que são as palavras da minha mãe, que tenho a certeza são corroboradas por muitas outras mães, não só em Portugal, como noutras partes do mundo.

Acho que a minha mãe o admira mais, por essas nobres qualidades, do que propriamente pelas qualidades futebolísticas, que ela admite que ele as tem. Mas…se bem se lembram, a minha mãe não percebe nada de futebol.

Não percebe nada de futebol, mas fica irritadíssima quando ouve ou lê, as mais hediondas críticas ao rapaz que tem sido o maior embaixador do nome e prestígio de Portugal no mundo.

Como a minha mãe vai já com oitenta e sete primaveras, já viu muito, e na sua sabedoria, não só de mãe, mas também de experiência da idade, que apesar de avançada é muito lúcida também, um dia destes fez um desabafo, em relação à polemica da substituição de Cristiano, e do seu descontentamento em relação à mesma, que me fez pensar.

Disse, “Porra, pensei que o tempo da Pide já tinha acabado”

E eu que às vezes sou um pouco de compreensão lenta, percebi logo o que ela quis dizer com aquilo.

O rapaz não pode dizer nada que não seja logo escrutinado e desmantelado em pequenas partes, para depois ser motivo de analise, de critica, de tortura e crucificação.

Muita gente, num ápice, mais rápido e breve do que um sopro, esquece-se de todos os feitos e glórias que ele tem arrecadado para Portugal, e, transformam-se em carrascos da condenação.

Quando se gerou a polémica de um golo que o rapaz diz ter sido seu, mas que afinal foi de um outro grande da Seleção e de Portugal, o Bruninho; a minha mãe, na sua sabedoria de quem não percebe nada de futebol, disse-me logo: “Ora, ora, o que importa de quem foi o golo. O golo foi de Portugal, isso é que foi. E cada golo que Portugal marca, tem um bocadinho de cada um dos que lá estão (toda a equipa, incluindo a técnica) e de todos nós que os apoiamos”.

Afinal, se calhar a minha mãe percebe mais de futebol do que qualquer um desses treinadores de bancada, que se fartam de criticar a nossa seleção, que lhes clamam por gotas de suor que não vêm, e se lhes fosse pedido que dessem uma corrida atrás de uma bola, num jogo entre casados e solteiros, não eram capazes de correr uns míseros cem metros sem que lhes não saísse os fígados pela boca, retalhado em postas.

A minha mãe não percebe nada de futebol, mas tem muito orgulho na nossa Seleção de Portugal, porque a nossa Seleção leva o nome de Portugal ao mundo. 

E se o futebol tem destas coisas, nem sempre ganha o que joga melhor, como se provou neste jogo da Coreia do Sul, estes rapazes fazem com que o mundo fale no nome do nosso país, que tem mais de oitocentos anos de história, e representa, quer se goste de futebol ou não, muito do nosso prestígio como país, como povo. E que povo, e que país.

A minha mãe não percebe nada de futebol, mas apoia a nossa Seleção, para o melhor e para o menos bom.

A minha mãe esteve casada com o meu pai por cerca de cinquenta anos e só a morte, do meu pai, os separou. Porque a morte é assim. Separa, para depois voltar a juntar.

Por isso, deixem-se de merdas e apoiem a nossa Seleção.

Se a minha mãe, que não percebe nada de futebol, os apoia, porque é que nós, que somos todos portugueses, não os deveremos apoiar. Incondicionalmente.

Antonio Magalhaes 

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.

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