Cannes: Chopard distingue Odessa A’zion e Connor Swindells
O Festival de Cannes volta a ser palco da entrega do Trophée Chopard, distinção que desde 2001 assinala a nova geração de talentos do cinema internacional. Em 2026, o prémio criado por Caroline Scheufele, copresidente e diretora artística da casa Chopard, será entregue à atriz norte‑americana Odessa A’zion e ao ator britânico Connor Swindells, numa cerimónia marcada pela presença de Isabelle Huppert como madrinha desta edição.
A entrega dos troféus está agendada para 15 de maio de 2026, no Carlton Beach, durante um jantar oficial do Festival de Cannes, perante um público composto por atores, profissionais da indústria e criadores. Os vencedores são escolhidos pela Academia do Trophée Chopard, que reúne personalidades reconhecidas do meio cinematográfico e sublinha o compromisso da marca com a transmissão de valores artísticos e o apoio a carreiras emergentes.
Figura incontornável do cinema mundial, Isabelle Huppert construiu uma trajetória que atravessa o cinema de autor, grandes produções internacionais e o teatro. Duas vezes vencedora do prémio de interpretação feminina em Cannes – por “Violette Nozière” (1978) e “La Pianiste” (2001) – a atriz soma ainda um César, um Golden Globe, um BAFTA e uma nomeação aos Óscares. Trabalhou com realizadores como Claude Chabrol, Michael Haneke, Jean-Luc Godard, Paul Verhoeven ou Hong Sang-soo, e mantém uma intensa atividade em palco, em colaborações com encenadores como Bob Wilson, Romeo Castellucci e Ivo van Hove. “Isabel Huppert é uma amiga de longa data da Maison, e o nosso elo assenta numa profunda afinidade artística”, afirma Caroline Scheufele, sublinhando que o papel de madrinha “se impôs como uma evidência”. A própria atriz resume o espírito do prémio: “Este galardão celebra esse momento frágil e exaltante em que uma carreira ainda está a desenhar‑se – um tempo feito de intuição, coragem e liberdade. Apoiar atores em ascensão é apoiar o próprio futuro do cinema.”

Do lado feminino, o Trophée Chopard 2026 distingue Odessa A’zion, que tem vindo a afirmar-se rapidamente no panorama internacional. A atriz interpretou recentemente uma das protagonistas de “Marty Supreme”, ao lado de Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow e Tyler, The Creator, papel que lhe valeu nomeações aos Actor Awards e aos BAFTA e elogios de publicações como Variety, The Hollywood Reporter e Deadline. Na televisão, é presença recorrente na série “I Love LA”, de Rachel Sennott, onde o papel de Tallulah lhe garantiu uma nomeação aos Gotham Television Awards, e deu voz à personagem Nikki Baxter na série de animação “Stranger Things: Tales from ’85”, da Netflix. Entre os próximos projetos contam-se “Mother Courage”, de Cody Fern, com Naomi Watts e Sarah Paulson, e “Fonda”, de Justine Triet, somando-se a filmes como “Sitting in Bars with Cake”, “Fresh Kills”, “Grand Army”, “Hellraiser” e “She Rides Shotgun”, que consolidaram a sua reputação de atriz magnética e versátil.
O prémio masculino vai para Connor Swindells, reconhecido por uma filmografia em expansão no cinema e na televisão. O ator ganhou notoriedade mundial com o papel de Adam Groff na série “Sex Education”, da Netflix, onde foi uma das figuras centrais ao longo das quatro temporadas, recebendo ampla atenção crítica. Desde então, dividiu-se entre filmes de época, obras contemporâneas e produções de grande escala, como “Emma”, “The Vanishing”, “SAS: Rogue Heroes”, “William Tell” e o fenómeno global “Barbie”, de Greta Gerwig. Em breve surgirá em “The Entertainment System Is Down”, de Ruben Östlund, ao lado de Keanu Reeves e Kirsten Dunst, e em “The Dreamlands”, de Kayleigh Llewellyn. Na televisão, integrou ainda projetos como “Lockerbie” (Netflix, BBC) e “Scoop”, de Phillip Martin. Nomeado aos BIFA para melhor revelação e apontado pela Screen International como uma das “Stars of Tomorrow”, Swindells afirma encarar o Trophée Chopard como “mais do que um reconhecimento”: “É também uma homenagem às pessoas e aos momentos que moldaram a minha carreira até agora. Recebê‑lo em Cannes torna esta distinção ainda mais especial.”
Ao longo dos anos, o Trophée Chopard tem confirmado o seu caráter visionário, com vários laureados a tornarem-se figuras centrais do cinema contemporâneo. Nomes como Jessie Buckley, Adèle Exarchopoulos, Marion Cotillard, Naomi Ackie, Tang Wei, Kingsley Ben-Adir, Mike Faist, Joe Alwyn ou Gael García Bernal figuram na lista de distinguidos, e algumas antigas premiadas, como Marion Cotillard e Diane Kruger, regressaram a Cannes como madrinhas, reforçando um ciclo contínuo de reconhecimento e transmissão artística.
Desenhado por Caroline Scheufele e produzido pelos joalheiros da casa Chopard, o próprio troféu é uma peça única, criada com a mesma visão que preside à Palma de Ouro e às restantes distinções entregues na cerimónia de encerramento do festival. Mais do que uma escultura, pretende ser um símbolo: um sinal de que as “estrelas de amanhã” do cinema internacional já brilham hoje na Croisette.