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Bípedes vs quadrúpedes

Não é retórica! Não venho com a retórica das retóricas, nem sequer com os meus alegados eufemismos. E se quiserem sem moralismos. Mas é pungente. Primário.

Provavelmente o animal até brincou com o abandonante, até lhe lambeu as mãos, subiu-lhe as pernas e abanou a cauda dele num mistifório de candura, na sua essência a supor que com ele estava a brincar… mas…

Há dias vi um vídeo que me cortou o coração. Foi seguramente o que mais me feriu, apertou, literalmente, o coração acerca dos animais domésticos, pese eu ter comigo uma cadelinha há quatro aninhos que comigo chora, comigo ri, comigo fala em expressividade e eu com conluia fonética com ela comunico.

Não sou fanático. Daquele tipo – tipo pessoa e tipo género – para quem os animais isto e aquilo, o ai-jesus. Muitas vezes é uma farsa porque não têm – não sabem mais a quem ajudar e querem mostrar a sua moralidade. Não sou mesmo fanático.

Os animais de quatro patas são diferentes dos de duas pernas. Não em muitas diferenças, mas nas que há de diferença, as dos bípedes são mais genuínas, mais cândidas, mais inocentes. Mas exactamente aí, também, são diferentes.

Há, posto isto, que não passar por algumas hipocrisias, algumas das vezes, e se possível ajudar o Homem. Se mais não for a perceber a pureza, a candura, a ingenuidade do animal, num amor cego que nos devotam.

Mas não façam o que se faz esqualidamente a muitos animais que são exemplos à beça do que nós não somos nem conseguimos ser nem trocar, e menos ainda partilhar com eles, exactamente pela condição de bípede.

Mas ver – tendo em conta o vídeo – uma criatura de duas pernas a amarrar um cão numa estrada deserta e correr para dentro da viatura para lhe fugir, e o cão candidamente a correr atrás com ar de brincadeira a não lhe passar pela cabeça a atrocidade pelo que o senhor humano – é animal-humano-racional, cf compêndios, que lhe ia realmente fugir, a encostar-se na porta por onde saíra sem retorno, e por fim ver a viatura lá ao fundo a desaparecer, foi, foi, nos últimos meses a maior atrocidade – neste contexto, que eu vi cometer.

Nunca eu pensei que – na eventualidade de ver aquele procedimento -, me ia condoer tanto, tanto.

(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico)