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As cores do meu país

Do meu país a pátria e a mátria
O sonho e a razão
Os trilhos da lusofonia.
Raiz plantada em terra de ninguém
Cor de um dialeto românico
Força agreste da Galiza, os ventos a empurrar para sul.

Os contrastes no ciclo do império
A invencibilidade da língua nascente
A correr no vermelho do sangue da reconquista
A esperança de um verde a colorir as encostas e os vales
Num país à beira – mar instalado.

Do meu país,
O soneto e a epopeia de Camões
O desassossego e a mensagem de Pessoa
O romantismo doloroso de Camilo, o realismo de Eça
A fortaleza de um mundo feminino a vingar nas palavras de Agustina
A sombra e o silêncio, o mar e os mitos,
A riqueza poética de Sophia
A reconstrução histórica de um memorial memorável
Premio nobel luso, José Saramago.

Um quinto império a brotar em mentes utópicas
Padre António Vieira, Pessoa, Agostinho da Silva
Uma nação e a língua a vingar em oceanos tempestuosos
A identidade, a afirmação, a cosmovisão
Terras quentes de Africa,
Mia Couto e a Africanidade
O doce samba brasileiro, a bossa nova de Vinícius
A realidade de um povo na voz de Jorge Amado.
Asia, India, Ceilão.

Do meu país, a unidade e a diversidade
Eu, e o outro, em constante partilha e construção
A multiculturalidade crescente da língua dispersa pela Europa
Uma comunidade assente nos desígnios da diáspora.

As cores do meu país é esta língua,
Esta que me faz ser, sentir, amar
Ser alegria e melancolia
Ser fado, cantiga, poema, lágrima de saudade
Ser dádiva e entrega
Ser ocre da terra, azul do mar, branco das vagas
Ser viagem e transmutação.

São Gonçalves

 

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.