De que está à procura ?

Comunidades

Arca Bags: Entre bicicletas e costura, portugueses criam marca na Dinamarca

© DR

Foi entre bicicletas, tecido e máquinas de costura que nasceu a Arca Bags, projeto dos portugueses Daniel e Eduardo, atualmente radicados em Aarhus, na Dinamarca. “A ideia é simples: malas duráveis, bem feitas, práticas e com cores chamativas”, resume Daniel. A marca, dedicada à produção artesanal de malas para bicicleta e uso quotidiano, começou de forma experimental e transformou-se numa pequena estrutura independente, desenvolvida em paralelo com as carreiras profissionais dos dois emigrantes.

“A Arca nasceu em 2021, ainda em Portugal, de uma vontade muito simples: dar um nome e uma identidade às malas que estava a fazer para mim e para alguns amigos”, explica Daniel ao BOM DIA.

“A costura apareceu a partir de uma necessidade prática: usava a bicicleta todos os dias e não encontrava malas que juntassem aquilo que eu procurava – funcionalidade, durabilidade e um design simples”, recorda. Foi em casa, entre cortes de tecido e testes na própria bicicleta, que surgiram as primeiras peças que deram origem à Arca.

Em 2024, o criador da Arca Bags mudou-se para Aarhus para trabalhar na área de engenharia estrutural, na empresa Vestas, líder mundial em soluções energéticas sustentáveis. Foi aí que a marca ganhou uma nova dimensão. “Viver fora fez-me olhar para a Arca como uma forma de manter algo muito meu, com um equilíbrio entre a vida de engenheiro e o prazer de criar objetos úteis, honestos e com um olhar sobre o detalhe”.

Arca Bags

Construir em dupla

Atualmente, a Arca Bags é desenvolvida a dois. Eduardo juntou-se à marca em 2025, assumindo funções como planeamento, faturação e outras tarefas essenciais à gestão do dia a dia. Daniel mantém-se dedicado sobretudo ao desenho e à confeção das peças. Em conjunto, definem o que, quando e para quem lançar.

“Trabalhamos os dois a tempo inteiro noutras áreas, por isso a Arca acontece sobretudo à noite e aos fins de semana”, explicam. “Há todo um lado invisível – compras, contabilidade, comunicação, envios – que consome muito tempo (…). Produzir em pequena escala num país caro como a Dinamarca obriga‐nos a pensar bem cada decisão, para manter a qualidade dos materiais e do trabalho sem perder acessibilidade nem o lado humano da marca”, explicam.

Arca Bags

Produzir sem pressa

Apesar dos desafios em termos de tempo e energia necessários para gerir uma marca em horário pós-laboral, os empreendedores defendem um crescimento sustentável. “A ambição é crescer de forma orgânica, sem perder o controlo sobre o que fazemos nem a proximidade com quem compra. Queremos alargar a gama, testar novas malas para diferentes usos e, a médio prazo, colaborar com lojas e projetos que partilhem os nossos valores de durabilidade, funcionalidade e produção responsável”, afirmam.

A produção é feita com foco na durabilidade e na redução do desperdício. Além disso, usam “materiais de qualidade vindos apenas de fornecedores na União Europeia”. Entre os produtos mais procurados está a Bossa, uma bolsa multiuso que pode ser utilizada no guiador da bicicleta, à cintura ou a tiracolo: “É prática, aguenta bem o uso diário e costuma ser a “porta de entrada” de muita gente na marca”.

Arca Bags

A experiência de viver na Dinamarca também acabou por influenciar a identidade da marca. Para Daniel e Eduardo, a cultura da bicicleta faz parte do quotidiano dinamarquês e encaixa naturalmente nos princípios da marca: “Há infraestrutura e mentalidade para isso, o que encaixa muito bem com o ADN da Arca”, dizem. Ao mesmo tempo, reconhecem que emigrar também significa lidar com saudades e adaptações. “Sentimos falta de coisas muito simples de Portugal: os cafés, a comida, o clima”, admitem.

Criatividade e empreendedorismo na diáspora

Os fundadores reconhecem que o projeto se enquadra numa visão diferente da emigração portuguesa contemporânea, mais ligada à criatividade e ao empreendedorismo. “Sim, de certa forma, sentimos que a Arca pode fazer parte dessa ‘nova’ vaga de emigração. Não é apenas sair para ‘ter trabalho’, é também usar essa experiência fora para experimentar coisas novas, criar e empreender. No nosso caso, juntamos uma profissão técnica estável com um projeto muito manual e criativo, que cresce devagar, peça a peça. (…) Viver fora dá distância e novas referências. Usar isso para criar algo nosso é uma forma bonita de dar sentido à experiência de emigrar”.

Arca Bags

Para outros portugueses espalhados pelo mundo que tenham uma ideia por concretizar, Daniel deixa uma mensagem simples: começar. “Quando estava na faculdade, ouvi muitas vezes que, para criar um negócio ou avançar com uma ideia, tem de ser algo super inovador e completamente diferente do que já existe. Na minha opinião, nem sempre tem de ser assim. Também faz sentido pegar numa coisa que já existe e fazê-la à nossa maneira, com o nosso cunho pessoal”, explica.

“A primeira versão nunca é perfeita – mas é essa primeira tentativa que abre caminho para todas as outras”, conclui.

Texto: Fabiana Bravo


TÓPICOS

Siga-nos e receba as notícias do BOM DIA