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Apocalipse dolorosa

Os átomos beijando-se

criando explosões que me atormentam.

O fabuloso périplo desconhecido da pérola áurea

em fogo cega-me a retina cristalina.

O contador de histórias, testemunha de outros tempos,

roubou-me o jardim que nunca tive.

Como um cavaleiro do apocalipse

da minha verdade nua que eu não via, nem queria ver.

A palavra amor saiu da tua boca,

mas não como eu queria.

Nessa noite de trovoada na minha cabeça

caiu um raio, rachou-me o peito,

desfez um mundo, partiu algo em mim.

Trombas de água entornando-se de chofre,

tsunamis enfurecidos nos meus lábios

proferindo raios e centelhas, venenos, blasfémias

ao meu próprio corpo que eu não dei.

Olhos tristes cabis-baixos não me consolam,

sorrisos piedosos não cobrem os meus desenganos,

nem as tuas carícias, que nunca me fizeste, aquietam

o desassossego da minha alma em sangue.

Pau de sândalo que continuas perfumando

o meu corpo, não percebes porque já não caminho?

Lá em baixo o fogo magoado sem fôlego já não bate o Ferro da Eira,

a espada infiel cortou-me os dedos ledos.

Apocalypsis dolorosa

Les atomes s’embrassent

déflagrant en des explosions qui m’assaillissent

le fabuleux et inconnu périple de la perle d’or

en feu m’aveugle la rétine cristalline.

Le conteur d’histoires, témoin des autres temps,

m’a volé le jardin que je fut jamais mien.

Comme un chevalier de l’apocalypse

de ma vérité nue que je ne voyais ni ne voulais voir.

Le mot amour est sorti de ta bouche,

mais pas comme je me l’imaginais.

cette nuit d’orage sur ma tête

la foudre est tombé, a ouvert ma poitrine,

effaçant un monde, me brisant en deux.

Des pluies rageantes se jettent violemment

comme des tsunamis en furie sur mes lèvres,

l’éclair, le feu, le blasphème, le venin que je distille

sur mon propre corps, que je n’ai pas livré.

Tes yeux de chagrin ne me consolent pas

tes sourires indulgents ne couvrent pas mon désarroi

ni les caresses, que tu ne m’a jamais faites,

apaise l’inquiétude de mon âme ensanglantée.

Parfum de bois de sandale qui odore encore mon corps,

as-tu compris pourquoi je me suis perdu en chemin ?

un feu blessé ne sais plus battre le fer

l’épée infidèle m’

a coupée les doigts béats.

JLC251002

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