O Papa defendeu este domingo em Luanda a superação urgente da conflitualidade e o fim da “lógica extrativista” em África, num encontro com as autoridades angolanas.
“Quanto sofrimento, quantas mortes, quantas catástrofes sociais e ambientais acarreta esta lógica extrativista! Em todas as partes do mundo, vemos como ela, no fundo, alimenta um modelo de desenvolvimento que discrimina e exclui, mas que ainda pretende impor-se como o único possível”, disse Leão XIV, perante responsáveis políticos, representantes religiosos e da sociedade civil, além de membros do corpo diplomático.
O pontífice aterrou esta tarde no Aeroporto Internacional de Luanda, onde foi recebido pelo presidente João Lourenço e por duas crianças que lhe ofereceram flores, sendo acompanhado por milhares de pessoas ao longo do percurso pelas estadas da capital do país lusófono.
Após a cerimónia de boas-vindas, o pontífice deslocou-se ao Palácio Presidencial para um encontro privado com o chefe de Estado angolano, antes do discurso inaugural.
Leão XIV centrou o seu primeiro discurso na necessidade de proteger a dignidade humana e os recursos do continente contra a exploração.
“É necessário quebrar esta cadeia de interesses que reduz a realidade e a própria vida a uma mera mercadoria”, apelou, lendo em português.
O Papa alertou para o sofrimento e as catástrofes ambientais provocadas por modelos de desenvolvimento excludentes.
A África tem uma necessidade urgente de superar situações e fenómenos de conflitualidade e inimizade, que dilaceram o tecido social e político de tantos países, fomentando a pobreza e a exclusão”.
O discurso denunciou a atuação de líderes autoritários que procuram dominar a população através do desânimo.
“Os déspotas e os tiranos do corpo e do espírito pretendem tornar as almas passivas e os ânimos tristes, propensos à inércia, dóceis e subjugados ao poder”, observou.
Leão XIV incentivou os detentores de autoridade em Angola a valorizarem a diversidade e a gerirem os conflitos como caminhos de renovação.
“Colocai o bem comum acima do das partes, não confundindo nunca a vossa parte com o todo”, insistiu.
A intervenção destacou a vitalidade da juventude africana, classificando a sua alegria e esperança como virtudes políticas fundamentais.
“A África é, para o mundo inteiro, uma reserva de alegria e esperança, que eu não hesitaria em definir como virtudes ‘políticas’, porque os seus jovens e os seus pobres ainda sonham, ainda esperam, não se contentam com o que já existe, desejam reerguer-se, preparar-se para grandes responsabilidades, empenhar-se em primeira pessoa”, sustentou.
O Papa reiterou o compromisso da Igreja Católica em promover a justiça e a convivência fraterna na sociedade.
“A Igreja Católica, cuja obra de serviço ao país sei o quanto estimais, deseja ser fermento na massa e promover o crescimento de um modelo justo de convivência, livre das escravidões impostas por elites com muito dinheiro e falsas alegrias”, indicou o pontífice.
Leão XIV seguiu para a Nunciatura Apostólica, onde pernoita durante a sua estadia em Luanda, tendo vindo à janela para saudar a multidão que se reuniu diante da embaixada da Santa Sé.