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A puteza

Às vezes sonho contigo.
Muitos poemas começam
ou englobam este sentir.
Na realidade sonho contigo.
E enquanto desperto
fico naquele vai-vem de entender
que sonho – o sonho que se passou
até acordar em definitivo.
No remanso do sonho
ocorre-me que tenho que escrever
registar o que se passou em forma de letra
poética ou prosa.
Mas… oh diabo! Eu tenho que escrever o quê!
Se, enquanto desperto, tomo sentido
que o que dissesse, seria recontinuar
depois do interregno
de muitos anos.
Tal como muitos anos os que realmente
te escrevi.
Aqueles anos em que foste comborça
tanto como hoje.
Bem despertado tomo boa nota
que nada tenho…
já nada tenho a escrever-te.
A escrever para ti.
E o escroque, a franjosca que foste
e és
se me depara como indigna de escrever,
óbvio,
quanto o não ter que te fazer o mais elaborado,
lindo, gracioso, quimérico texto
quer prosa, quer poesia.
Poesia não há.
Só prosa vinda dos pobres que são necessários
para produzir um rico…
Ou seja! Para produzir um bando de pedantes,
petulantes, patuscos.
Qual riqueza, qual quê, além da infiduciária!
«E eu pergunto aos economistas, políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?
Almeida Garret
Mário Adão Magalhães  015/05/31, 06, 07h
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