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A bebedeira do presidente

© DR

Senhor presidente já não sei de onde
Beba um pouco de vinho para o estômago 
Faz muito bem. Mas não seja avinhado
Nem beba o juízo. Vá só até ao âmago.

Pois o vinho pode ser ridicularizador 
E sabe senhor presidente ele também indisciplinado
Não se perca por causa dele, pode causar-lhe dor
Fique antes sóbrio, talvez um dia governe uma nação.

Sabe que o vinho pode tirar a boa motivação,
E já tem o nariz a ficar longo e encarnado 
Assim nem governa sua casa e tampouco uma nação 
Vá a Régua e beba só vinho envelhecido e filtrado.

Olhe que o poema apanhou uma bebedeira
De caixão à cova, mesmo ali à maneira 
O poeta lhe disse, isso não se faz. Não há maneira
Pois o que estás fazendo é uma grande asneira.

E depois ainda meio tonta começou a delirar 
E a gritar dizendo: De amores sabia Camões 
Que matava a nefasta sede de paixão 
Roubando na Corte as damas os seus corações.

Depois claro a poesia sofreu uma cirrose 
E digam lá: o que farei eu agora sem ela?
Arrumo as botas e a pena de guerreiro
Ou irei visitar a poesia ao cemitério ou numa cela?

Mas saiba senhor presidente, que entre beber moscatel ou vinho
Procuro ser muito moderado em beber muita água 
Para viver muitos anos, estar sóbrio, e receber e dar carinho
E desta forma senhor presidente, não sofrerei qualquer mágoa!

José Valgode

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.

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