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Alegria na reabertura das fronteiras

Comerciantes e moradores em Vilar Formoso, no concelho de Almeida, Guarda, reagiram esta quarta-feira com satisfação à reabertura da fronteira com Espanha e disseram esperar que os próximos meses permitam ultrapassar as consequências económicas da pandemia da covid-19.

Devido à pandemia, as fronteiras terrestres entre Portugal e Espanha estiveram encerradas desde o dia 16 de março, com efeitos negativos para a economia de ambos os territórios.

A fronteira de Vilar Formoso/Fuentes de Oñoro regressou esta quarta-feira à normalidade, com a permissão da livre circulação para pessoas, pois durante o período em que vigorou o controlo das fronteiras estiveram impedidas as deslocações turísticas e de lazer entre os dois países, tendo apenas sido permitida a circulação de transportes de mercadorias e de trabalhadores transfronteiriços.

“Esta fronteira nunca devia ter fechado. O controlo devia de ter sido feito num raio mais alargado, porque as localidades de Vilar Formoso e de Fuentes de Oñoro são uma só”, referiu à agência Lusa Fernanda Fevereiro, residente em Vilar Formoso, trabalhadora num comércio na vizinha localidade espanhola.

A mulher referiu que durante o fecho da fronteira os habitantes dos dois lados não tiveram contactos e os comércios de Fuentes de Oñoro apenas serviram os “poucos” habitantes locais e “os emigrantes que continuaram a passar”.

No primeiro dia de reabertura da fronteira, no estabelecimento onde trabalha Fernanda Fevereiro, o movimento de clientes portugueses “tem sido um pandemónio”.

“Tem sido uma loucura com a procura de gás, gasolina e compras em geral”, contou a mulher, que está satisfeita com a reabertura da fronteira.

Num posto de abastecimento de combustíveis desta localidade espanhola, a Lusa falou com dois residentes em Vilar Formoso que aproveitaram a manhã para ali se deslocarem e fazerem as habituais compras.

“Vim comprar uma garrafa de gás e abastecer o carro com combustível, porque, por exemplo, o gás, aqui custa pouco mais de 13 euros e em Portugal 25”, justificou José Trigueiro, de 74 anos.

Maria de Lurdes, de 64 anos, foi a Espanha “comprar peixe e azeite e meter gasolina no carro”. A mulher “já tinha muitas saudades” de fazer compras em Fuentes e prometeu regressar ao fim do dia para “comprar gás, que é quase a metade do preço”.

Os comerciantes de Vilar Formoso, que se queixam de dias “muito difíceis” por os espanhóis não terem entrado em Portugal, acreditam que “melhores dias virão”, mas apontam que “ainda existem receios”, porque a pandemia “ainda não passou”.

“O negócio em geral ressentiu-se com a fronteira fechada. Agora, com a reabertura, vamos ver se as coisas melhoram. Temos esperança que isso aconteça”, declarou Maria José, de 65 anos, proprietária de uma loja de pronto a vestir.

Alfredo Fernandes, com 77 anos e comerciante há 27, que possui uma loja de comércio geral, não tem memória de “dias tão difíceis” como aqueles que aconteceram durante o fecho da fronteira.

“Os nossos clientes são os emigrantes e os espanhóis. Não tenho muita esperança de que isto vá ‘arrancar’ novamente. Mas vamos ver. A faturação tem sido zero. A reabertura da fronteira é uma coisa boa, mas, se isto não se alterar, creio que a melhor solução será fechar a porta”, vaticina.

Perto da loja de Alfredo Fernandes, a Lusa encontrou a técnica de unhas Elisa Oliveira, de 40 anos, que disse esperar que o negócio se anime com o regresso da livre circulação de pessoas.

“Eu estou contente, mas também preocupada, porque a reabertura da fronteira é boa para o comércio local, mas pode haver alguns problemas com a covid. Os meus clientes são espanhóis e muitos já fizeram marcações a partir do dia de hoje”, relatou.

A moradora Maria Filomena, de 55 anos, contou que sentiu “a falta de fazer compras” em Espanha.

“Estou ansiosa para ir a Fuentes de Oñoro. Vamos ver se ainda lá vou hoje fazer compras e ver as minhas amigas”.