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Alegria de ver mais um luso-venezuelano libertado

Hector Ferreira, um empresário luso-venezuelano, foi libertado ao fim da tarde de dia 21 de abril. Foi uma alegria imensa para todos, a começar, como é óbvio, pelo próprio e pela família, que se bateu incansavelmente pela sua libertação. Também é uma alegria enorme para a importante e muito considerada comunidade de portugueses e luso-venezuelanos. Foi ainda uma imensa satisfação para o Partido Socialista. O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, deslocou-se à Venezuela com o propósito bem definido de pedir a libertação dos quatro detidos luso-venezuelanos e a proteção da comunidade, mencionando sempre Hector Ferreira. 

No próprio dia da sua libertação, o Ministério dos Negócios Estrangeiros emitiu também um breve comunicado dizendo em maiúsculas libertado mais um luso-venezuelano, o que supõe, naturalmente, satisfação. Hector Ferreira estava preso desde 2022 e foi condenado a 18 anos de prisão, na sequência da expropriação da sua fábrica de produção têxtil, consolidada ao longo de mais de 60 anos de trabalho.

Além dos diversos encontros com a comunidade, a delegação do PS liderada por José Luís Carneiro encontrou vários luso-venezuelanos na Assembleia Nacional e no Governo, como forma de melhor sensibilizar os decisores políticos para os objetivos que levava na agenda. Entre eles destaque para o presidente do Grupo Parlamentar de Amizade Venezuela-Portugal e presidente da Comissão de Energia e Petróleo, Orlando Camacho, e para Francisco Garcês, presidente da Comissão Presidencial de Paz e Convivência Democrática. 

Foram determinantes os encontros com o vice-presidente da Assembleia Nacional, Pedro Infante e com o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e presidente da Comissão da Lei da Amnistia, Jorge Arreaza, que não tinha ainda tido encontros com quaisquer autoridades portuguesas. Dessas reuniões, incluindo com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Yvan Gil, também ele luso-venezuelano, ficou o compromisso de dar seguimento aos pedidos do líder do PS, José Luís Carneiro. 

Incompreensivelmente, enquanto na Venezuela a visita foi apreciada com entusiasmo, em Portugal foi agressivamente criticada pelos partidos da direita e da extrema-direita, dando mesmo a entender uma deplorável indiferença perante os mais de um milhão de portugueses e luso-venezuelanos, muitos deles com um papel essencial no relacionamento bilateral que não pode ser ignorado.

Coincidência ou não, dois dias depois da delegação do PS ter deixado Caracas em 22 de março, a Lei da Amnistia era prorrogada por mais 30 dias pela Assembleia Nacional. Hector Ferreira foi libertado no dia 21 de abril, três dias antes de terminar o prazo para o fim do período da Amnistia, que fora decretada pela presidente interina Delcy Rodriguez com o intuito de promover um processo de reconciliação nacional, através da libertação de presos políticos detidos durante a presidência de Nicolas Maduro.

Independentemente das considerações de natureza política, a verdade é que a visita de José Luís Carneiro deu um contributo determinante para o desfecho feliz relativamente à libertação de Hector Ferreira, que assim pôde abraçar os filhos que o esperavam à porta da prisão Rodeo II. Como, aliás, já acontecera em agosto de 2018, na altura secretário de Estado das Comunidades, quando a sua intervenção foi determinante para a libertação de 2 jovens luso-venezuelanos detidos arbitrariamente.

Há matérias na vida política que exigem convergência e sentido de Estado e não sectarismos dogmáticos que só dificultam que o real impacto das iniciativas políticas seja devidamente compreendido e os objetivos alcançados. A comunidade portuguesa na Venezuela, que passou por muita angústia e privações nos últimos 15 anos, merece essa convergência nacional na defesa dos seus interesses.

Hector Ferreira foi libertado e, acima de tudo, é isso que verdadeiramente interessa, esperando-se que tenham a mesma sorte todos os restantes presos políticos num futuro próximo. A intervenção política é para isso que serve. Para ajudar as pessoas, independentemente das suas circunstâncias.

Paulo Pisco

Diretor do Departamento de Comunidades do PS

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.

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