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África do Sul anuncia exercícios militares com Rússia e China

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A África do Sul, criticada pela sua neutralidade ao recusar condenar a Rússia pela invasão da Ucrânia, reforçou esta semana em Pretória a proximidade com Moscovo ao declarar-se “amiga”, durante um encontro dos chefes da diplomacia dos dois países. Estão agendados exercícios militares que também incluem a China.

A manifestação de amizade de Pretória, que na passada quinta-feira anunciou a realização em fevereiro de exercícios navais conjuntos com as marinhas russa e chinesa, foi feita pela ministra dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Naledi Pandor, durante um encontro com o seu homólogo russo, Serguei Lavrov, no qual reivindicou a “soberania” sul-africana para decidir com quem estabelece relações.

A operação naval “faz parte de um programa de exercícios militares que as forças de defesa sul-africanas têm no âmbito de acordos com muitos países de todo o mundo”, argumentou hoje Pandor, numa conferência de imprensa conjunta com Lavrov, cerca de um mês antes do primeiro aniversário da invasão russa da Ucrânia.

A Força de Defesa Nacional da África do Sul (SANDF, na sigla em inglês) anunciou na quinta-feira a realização de um exercício marítimo multilateral na costa leste do país, de 17 a 27 de fevereiro, envolvendo a Marinha do Exército de Libertação do Povo Chinês e a Marinha Federal Russa.

Hoje, na conferência de imprensa, Pandor questionou por que “ninguém fez perguntas” sobre outros exercícios militares realizados no passado com países ocidentais, como a França ou os Estados Unidos.

Os exercícios visam melhorar as competências das tropas sul-africanas “para que possam responder a uma série de situações, incluindo a gestão de desastres, em que o Exército está frequentemente envolvido”, disse a ministra.

Lavrov também defendeu as manobras, assegurando que são um teste à vontade da Rússia de “desenvolver” a sua cooperação militar e lamentou que o Ocidente as esteja a apresentar “como preocupante, quando é uma prática completamente comum” entre os países.

O Governo sul-africano garantiu no ano passado que adotou uma posição neutra sobre a guerra na Ucrânia e pediu diálogo e diplomacia para resolver o conflito, mas a oposição acusou o executivo de apoiar a Rússia.

Nesse sentido, Pandor insistiu hoje na necessidade de “uma solução e processo diplomático” para acabar com a guerra, apelando ao “multilateralismo e ao diálogo” como soluções.

“Reiteramos a nossa posição de que as preocupações de ambas as nações devem ser abordadas neste processo diplomático”, enfatizou a chefe da diplomacia sul-africana.

A África do Sul, Rússia e China integram o grupo de economias emergentes BRICS, bloco que também inclui Brasil e Índia e cuja presidência rotativa é exercida este ano por Pretória.

A ofensiva militar lançada em 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14 milhões de pessoas — 6,5 milhões de deslocados internos e mais de 7,9 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Neste momento, 17,7 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.

A invasão russa — justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 7.031 civis mortos e 11.327 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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