De que está à procura ?

Lisboa
Porto
Faro
Colunistas

Aceitar o novo normal enquanto vivemos sem a vacina COVID19

Vivemos tempos complexos e difíceis, e avizinha-se um novo normal que não será fácil de lidar, dada a adaptação dura que implica.

Como Humanos, somos seres sociais, apreciamos o toque, o afecto, a comunicação próxima, o convívio, o beijo, o abraço, a ternura e, nos próximos meses, teremos que escolher, conscientemente, reduzir ou até mesmo abdicar (principalmente os doentes de risco), destas manifestações comportamentais de afecto junto daqueles com quem interagimos e/ou vivemos. Daremos menos abraços e menos beijos, dormiremos separados mais vezes para proteger quem amamos, falaremos mais longe para ficarmos mais tempo com quem gostamos. Mas será tudo temporário, pois a ciência está a galope numa luta contra relógio para nos imunizar a todos. Até lá, temos de descobrir como viver no novo normal temporário, com o menor dano permanente.

A ansiedade e o medo têm aumentado, não só pela realidade que temos de aceitar que vai continuar a existir – o vírus vai continuar na sociedade – mas também pelo excesso de informação a que nos sujeitamos e que facilita a propagação das histórias dramáticas que vemos nos casos graves de cuidados intensivos nos hospitais de todo o mundo, mesmo sabendo que a maioria dos doentes com COVID19 não atinge sintomas graves, acabamos por potenciar o desenvolvimento de sintomas clínicos de perturbações de ansiedade, pânico, obsessão compulsão e depressão.

Neste momento, o problema não é apenas a ausência de uma vacina para nos imunizarmos contra a COVID19, mas essencialmente a atitude e sentido de responsabilidade que cada um deve ter, para saber o que fazer com o que tem de aceitar.

A responsabilidade individual é assumir os comportamentos recomendados e obrigatórios das medidas de auto-protecção. Não são os outros que se devem proteger para não me contaminar, mas essencialmente, eu proteger-me para não contaminar os outros. São realidades muito diferentes, porque quem espera a solução, fica muito mais propenso à ansiedade, insegurança e sofrimento, do que quem toma a decisão de cuidar de si próprio, responsabilizando-se pela solução que está ao seu alcance.

E, neste momento, o que está ao alcance de cada um de nós, é o uso de máscara que deve ser obrigatória em locais públicos, para protegermos os outros, e consequentemente, a nós próprios. Devemos também evitar mexer na boca, nariz ou olhos com os dedos das mãos, assim como a preocupação em lavar as mãos sempre que possível, várias vezes ao dia, fará parte do dia-a-dia. Trabalhar com medidas de auto-protecção com o uso de barreiras de acrílico e/ou viseiras. Depois, devemos desinfectar zonas de uso de várias pessoas. Entre outras orientações das entidades competentes que temos obrigação de nos informar e que devem ser seguidas à risca para evitar a propagação fácil do vírus.

Quanto menos assumimos a responsabilidade individual e responsabilizamos os outros primeiro pela realidade que temos, mais propensão para sofrimento, perda de saúde mental, problemas e dificuldades que vamos ter. Seremos sempre mais vítimas das circunstâncias e desenvolveremos sempre mais doença mental, quanto menos percebermos o que devemos fazer. A ansiedade e o medo desmedido paralisa, e a verdade é que, na realidade, temos de aprender a viver no novo normal, aceitando e controlando o risco de infecção até surgir a vacina, talvez durante pelo menos, 1 ano, na melhor visão optimista.

Caso contrário, o isolamento e fuga da realidade, será uma cura pior que o tratamento, com o aumento da pobreza de forma desmedida, diminuição da independência e escolhas das Pessoas e das suas responsabilidades individuais, políticas demasiado centralizadas no poder governativo, perda significativa de postos de trabalho, falências e encerramento de empresas, risco de maiores extremismos, assaltos, roubos e furtos, ou seja, de insegurança social. Neste momento, em quase todo o mundo, vemos ideologias políticas aparentemente a contradizer-se, mas a perceberem que só em conjunto se vence uma pandemia, na medida em que temos a ala direita a pedir Estado e a ala esquerda a defender o Privado e manutenção das empresas. Vemos também governos e políticos a compreenderem que, sem ciência (até aqui renegada para segundo plano) ficamos entregues às opiniões e experiências individuais, não conseguindo saber o caminho que beneficia mais e melhor todos, pelo que, finalmente, estão a ouvir quem estuda realmente e faz investigação séria, para colocar a ciência ao serviço das pessoas e permitir a evolução eficiente da sociedade.

Ao fim e ao cabo, percebemos que só em conjunto conseguiremos saber viver no novo normal, aceitando os riscos e sabendo o que fazer com eles, num sentido que começa na responsabilidade individual, para ganhos colectivos e sociais, protegendo uma estrutura democrática e funcional, que deve ser mantida para proteger a capacidade livre de cada um e a liberdade de todos.

Ivandro Soares Monteiro
Psicólogo Clínico / Psicoterapeuta (em Portugal ou Online)
Executive Coach / Consultor Comportamental
Fundador & CEO da EME Saúde

 

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.