
Perpétuo movimento
além-fronteira vertical
não separa nem ultima
junta e aproxima
O rio ainda se ausenta
na madrugada pardacenta
que tarda em abrir, resgato-me, apesar de mim, da flanela
atravesso a madeira até à janela
Das ameias deste entreposto
que muitos outros refúgios acolheu descortino o rio que se ausenta na noite pardacenta que além-janela tarda em romper a madrugada
Penetro no quadrado de vidro
introduzo-me no cumulus nimbus
e deixo abaterem-se sobre mim as águas
O corpo bebe do metal
o jade quadriculado ampara-me
a lâmina descobre-me feromonas condensadas em mim
fertilizam-me os poros
entrego-me a reflexões verticais
plano polido de mim mesmo rugoso
JLC 090205 Schengen
