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A refugiada que introduziu a bola de Berlim em Portugal

A historiadora Irene Flunser Pimentel conta no seu livro “Judeus em Portugal durante a II Guerra Mundial” como surgiu em Portugal a bola de Berlim, uma das delícias das praias portuguesas e um dos pastéis mais populares no país.

Entrevistada pelo Polígrafo, Flunser Pimentel revela que protagonista desta história é a refugiada judia Ruth Davidsohn. “Não sei se foi a descoberta da bola de Berlim em Portugal, mas o período da II Guerra Mundial deve ter sido aquele em que o bolo se espalhou no nosso país”, ressalva a historiadora. 

O percurso de vida de Ruth Davidsohn e da sua família também aliás descrito num artigo do jornal “Público”, de 5 de agosto de 2019.

Ruth, a irmã e os pais chegaram a Portugal, viajando desde Hamburgo, na Alemanha, a 6 de outubro de 1935. Aproveitaram então a “existência de um acordo luso-alemão que dispensava vistos nos passaportes de cidadãos dos dois países, desde 1926”.

Durante a II Guerra Mundial, “os refugiados judeus ou outros alemães ou austríacos não podiam trabalhar em Portugal e começaram a exercer trabalhos mais ou menos clandestinos: venda ambulante de gravatas, preparação de comida para outros refugiados e também de bolos que vendiam a alemães, não necessariamente refugiados, que viviam em Portugal”, explicou a historiadora que salienta também que “a diferença com a atual bola em Portugal, com creme ou sem creme, é que a alemã confecionada por Ruth Davidsohn tinha compota de frutos silvestres, de morango ou framboesa, tal como era corrente no seu país de origem.