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A propósito de alucinações

Analistas internacionais começam a convergir na ideia de que Portugal conjuga atualmente uma fórmula para o desastre. Desde que o PS governa a dívida bateu recordes, a economia arrefece, o investimento cai, as exportações diminuíram, o défice da balança comercial aumentou e o setor bancário vive dias de incerteza. Mas para o PS está tudo bem e a execução orçamental corre dentro do previsto.

O PSD e o CDS apontam nos números as razões que alarmam quem faz contas. Para um porta-voz do PS, Assunção Cristas está errada e Pedro Passos Coelho “tem alucinações com o Diabo e pouco contacto com a realidade”. A quem interesse, trata-se do mesmo porta-voz que há pouco mais de um ano, quando a Comissão Europeia contestava as previsões do cenário macroeconómico redigido por um grupo de 12 sumidades do partido, que integrava, reiterou todas as conclusões porque, garantia, o estudo só estaria desatualizado se os impactos das medidas propostas fossem revistos, sublinhando que não foi esse o caso e que, cumprindo-se as previsões europeias, tal só tornaria os resultados finais ainda mais plausíveis. O cenário macroeconómico do PS foi detonado e obliterado pela realidade. Mesmo assim, um dos “sábios” ascendeu a ministro das Finanças e o porta-voz continua a somar quase tantos enganos quantas as certezas absolutas que arrisca, de cada vez que opina. Para o PS, no falhar é que está o ganho.

O PCP e o BE, claro, aplaudem, coerentes na crença dos velhos anacronismos que fazem os povos iguais na pobreza e arruínam nações com empenho desde 1917. “Hasta la miseria siempre”.

E se há evidência que a democracia portuguesa tem permitido, é de que a Esquerda gasta – persistente na tática que rende votos (apesar dos maus desempenhos) de prometer o que sabe não poder cumprir, a contar com o dinheiro dos outros – e a Direita paga. Até hoje, com três resgates pela mão do PS, o FMI e a União Europeia têm valido à Esquerda no conserto dos desmandos. Resta saber até quando.

A propósito: como em tudo na vida, ficcionar inimigos externos tem custos. Pena que o Governo não o tenha em conta de cada vez que para esconder culpas próprias os ministros se dão ares de patriotas e invetivam contra Bruxelas sob pretexto da austeridade, Augusto Santos Silva a começar – em revivalismo trotskista na geringonça – mas que enquanto ministro da Defesa dizia em 2011 que “quem não apoia medidas de austeridade deserta do objetivo nacional”.

Se há lição que a história dá, é de que muitas vezes repete-se. E com o PS tem sido sempre assim.

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