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A pandemia está a alterar a inflação na Alemanha

A taxa de inflação na Alemanha desceu 0,1% em julho face ao mesmo mês de 2019 e 0,5% face a junho, tendo sido negativa pela primeira vez em mais de quatro anos. Num comunicado, a agência federal de estatística alemã (Destatis) afirma que a descida da taxa de inflação em julho deveu-se, sobretudo, à redução temporária do IVA durante o segundo semestre para encorajar o consumo e ajudar a contrariar o impacto da pandemia da covid-19.

No entanto, a Destatis sublinha que é difícil verificar até que ponto esta redução temporária do IVA – de 19% para 16% e de 7% para 5% da taxa reduzida – foi aplicada ao consumidor, dado que a evolução dos preços depende de muitos fatores, pelo que o impacto desta redução só pode ser medido através da aplicação de um modelo.

No caso de uma aplicação total e imediata da redução do IVA ao consumidor, o resultado é, segundo um cálculo puramente matemático, uma taxa de inflação inferior em 1,6% à que teria sido registada na ausência desta medida.

Os bens em geral tornaram-se 1,4% mais baratos entre julho de 2019 e o mesmo mês de 2020, afirma a Destatis, sublinhando que uma razão poderia ser a redução do IVA.

Assim, os preços da energia continuaram a baixar – ligeiramente, 6,7% face a julho de 2019 – apesar do aumento dos preços do petróleo no mercado mundial, em junho, a contração tinha sido de 6,2%.

Em particular, o preço do óleo para aquecimento ficou 31,3% mais barato, enquanto o dos combustíveis desceu 12,9%.

Em contrapartida, a eletricidade ficou cara, tendo o preço subido 2,1% em julho face ao mesmo ano de 2019, contra 4,1% em junho.

Sem ter em conta o impacto da energia, a taxa de inflação teria sido de 0,8% em julho.

Os preços dos alimentos subiram 1,2% em julho face ao mesmo mês de 2019, significativamente abaixo dos 4,4% em junho.

O preço da fruta aumentou 7,8% acima da média, tal como a carne e os produtos derivados da carne (5,4%), enquanto os óleos, por exemplo, se tornaram 3,4% mais baratos.

Sem ter em conta o impacto da energia e dos alimentos, a taxa de inflação teria sido de 0,7% em julho.

A redução do IVA também influenciou outras categorias de produtos, como por exemplo, os preços do vestuário e calçado, que caíram 1,7% e os preços dos produtos duradouros, que desceram 1,0%.

Pelo contrário, o tabaco, que está excluído do desconto do IVA, tornou-se significativamente mais caro, ao subir 6,6%.

No setor dos serviços, no qual o impacto da redução do IVA foi quase impercetível, os preços aumentaram 1,2% em termos homólogos, acima da média.

As rendas de casas, que são decisivos para determinar a evolução dos preços dos serviços, uma vez que constituem uma das principais despesas dos consumidores e estão também excluídos da redução temporária do IVA, aumentaram 1,4%.

Outros serviços, como os dos cabeleireiros e cuidados corporais, assim como restaurantes, cafés e venda ambulante, tornaram-se mais caros em 4,9% e 1,6% respetivamente, apesar da redução do IVA.

Em contrapartida, as viagens de longo curso tornaram-se mais baratas 16%, o que se deve principalmente à redução do IVA de 19 % para 7% aplicada desde o início do ano às viagens de comboio de longo curso e apenas parcialmente à atual redução temporária deste imposto de 7% para 5%.

O IPC harmonizado para a Alemanha, que é calculado de acordo com os critérios europeus, manteve-se inalterado face a julho de 2019 e caiu de novo para um valor negativo de 0,5% em comparação com o mês anterior.