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A nação da Magna Carta flexibiliza a Europa com o referendo

LONDON, UNITED KINGDOM - JUNE 24: British Prime Minister David Cameron resigns on the steps of 10 Downing Street on June 24, 2016 in London, England. The results from the historic EU referendum has now been declared and the United Kingdom has voted to LEAVE the European Union. (Photo by Dan Kitwood/Getty Images)

Os britânicos disputaram entre si, os europeus tremeram e os órgãos de decisão em Bruxelas começam a acordar. Resultado do referendo: 51,9% pelo Brexit e 48,1% pela permanência na União.

Quem mais contribuiu para este resultado foi a vontade da UE querer impor quotas de refugiados ao Reino Unido e pretender obrigar o país a tratar os imigrantes da UE como trata os próprios nacionais, além de velhas facturas em aberto entre a velha europa e a velha Grã-Bretanha.

A Libra desvaloriza-se e deste modo diminuirá a atracção de imigrantes provindos da Zona Euro.

Em Bruxelas, a língua oficial inglês perde a sua força em favor do alemão e do francês e talvez em favor de línguas internacionais como o português e o espanhol.

A UE tornar-se-á ainda mais dependente da Alemanha que embora perdendo a companheira de luta Grã-Bretanha na defesa do liberalismo económico americano; a Alemanha sentir-se-á, por outro lado, mais influente no sentido de defender uma UE forte com um Euro forte; terá como opositor a europa latina com a França à frente. A força da economia dá porém razão à Alemanha e não ao sul, porque esta como potência económica, pode com os Estados Unidos e com a China forçar as economias menos competitivas. As forças empenhadas na construção de uma Europa das duas velocidades ganharão mais peso.

Os movimentos de regionalização e de federalização na Europa receberão maior impulso na Espanha (Galiza, Catalunha e país basco) e no Reino Unido também.

As relações da federação, no Reino Unido, entre Irlanda do Norte, Escócia, Gales e Gibraltar obrigarão a coligações e a formulação de interesses contraditórios. A Irlanda e a Escócia que querem a UE têm novos trunfos. E o caso do Gibraltar em certo modo também.

O referendo mostra um Reino Unido dividido em dois blocos e em regiões contraentes! Um exemplo concreto de uma UE em que uns resmungam e outros aplaudem mas de maneira ordenada e educada. A desordem da globalização exige a criação de ordens (blocos fortes) doutro modo, que mandará nisto tudo é a China e os EUA com a comparticipação de outras potências como a Alemanha e a Grã-Bretanha.

Os movimentos nacionalistas ganham mais força porque a direita militante e a esquerda militante embora contraditórias se unem contra o projecto EU.

Tornar-se-ão os britânicos os mentores da Europa, a partir das ilhas?

Nos próximos dias 28 e 29 de Junho realizar-se-á uma cimeira dos Estados membros em Bruxelas.

A UE não pode permanecer como era, doutro modo seguir-se-ão outras desistências iniciadas pela exigência de referendos noutros estados membros.

A sociedade britânica reagiu bem à decisão tomada. Ela foi o berço da democracia na Europa da Idade Média. Já no séc. XII-XII havia contendas entre a europa continental e a Grã-Bretanha que no meio delas criou a Magna Carta. Dos conflitos de Inglaterra (1199-1216), com a França e com o Papado, surgiu na Inglaterra a primeira Magna Carta que limitava bastante o poder do Rei. Ela prescrevia que o rei não podia criar impostos sem ouvir os bispos, os condes e barões. Ainda no séc. XIII forma-se o parlamento que veio a dar origem à Câmara dos Lordes (nobres e clero) e à Câmara dos Comuns formada pelos cavaleiros e burgueses. Esta Magna Carta serviu de modelo para a limitação dos poderes dos reis no sentido de uma democratização que pouco a pouco se estende por toda a Europa. Da Inglaterra temos muito a aprender; entre outras coisas o respeito e o reconhecimento da comparticipação do rival no bem comum.

António da Cunha Duarte Justo

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