
No tempo da outra senhora, o mesmo é dizer no antigo regime, o qual nada tem a ver com o “Ancien Regime” absolutista, derrubado pela Revolução Burguesa Francesa, havia uma clara definição de Pátria, Patriotismo, Nação, Nacionalismo e outros valores que faziam parte da chamada Educação Integral, ainda que esta pudesse ser encarada como utópica, pois não conseguia chegar-se a ela, mas apenas existia a aproximação.
Os Portugueses sabiam que a Pátria ia do Minho a Timor, que esse espaço era adorado porque nos concedia um estatuto de grande nação e por ela expressava-se o Patriotismo como sentimento de pertença. Éramos donos e senhores dum espaço a que chamávamos Nação e o amor e dedicação a ela transformavam-se no Nacionalismo.
A Abrilada desfigurou estes conceitos e a Pátria reduziu-se de milhões de Km2 para apenas 92.000. O sentimento por esse espaço deixou de ter a força anterior e o Patriotismo começou a ser encarado como fora de moda. A Nação passou a ser uma mera noção de limite de fronteiras, pois o Nacionalismo transformou-se em agressão grosseira, pois ligava-se ao regime da antiga senhora.
Na década de 80, dirigia eu um sector do ensino do Português em França, quando chegaram às minhas mãos milhares de brochuras enviadas pelo nosso Comissário Europeu, João de Deus Pinheiro, para distribuição aos alunos da comunidade portuguesa, que aprendiam o nosso idioma.
Achei interessante tal brochura até à leitura da frase que dizia “A Minha Pátria é a Europa”. Se a minha Pátria fosse a Língua Portuguesa parecia-me óbvio o pensamento de Pessoa, mas duma Pátria do Minho a Timor, cimentada desde os séculos XV e XVI, passar para a Pátria ser a Europa pareceu-me que não era esse o sentimento ainda.
Levei dias para mandar fazer a distribuição da brochura pelos 2600 Cursos de Lingua Portuguesa, frequentados por 55.000 alunos, com 462 Professores, pagos pelo Governo Português.
Mas, fazer veto de gaveta de tal documento não estava no âmbito do meu zelo patriótico e lá foi a brochura até aos interessados.
Pensar hoje na Pátria ou na Nação, ser Patriota ou ser Nacionalista são valores que a Democracia limitou e com a crise manifesta, o que hoje os Portugueses têm na mente são as dificuldades do quotidiano.
As dificuldades da Pátria ou da Nação, do ponto de vista económico/financeiro, são encaradas como consequência de roubos, falcatruas, esbulhos, corrupções, gastos supérfluos, denominados gorduras do Estado, enriquecimentos ilícitos, chorudos salários indevidos, apropriação indevida, etc., etc.
Aplaude-se a decisão do Tribunal Constitucional, agride-se o Governo que não respeita a Constituição, e os sorrisos surgem nos rostos porque proximamente o Governo tem de restituir importâncias vindas duma almofada orçamental, religiosamente guardada para emergências.
Ninguém quer admitir que o país não produz riqueza nem a possui para enfrentar os gastos ditos necessários.
Os Portugueses deixaram de ter Pátria, não possuem Nação, não são Patriotas e muito menos Nacionalistas.
Talvez a Pátria seja a Europa, pois ela criou-nos uma mentalidade hedonista. O que interessa é TER o vil metal no bolso, porque o SER cria-se a partir do bem-estar e para isso até pode vender-se a Pátria, porque ela já não se chama Portugal.
O crédito ou os empréstimos resolvem tudo!
Isaías Afonso
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