
A minha casa
Janelas escancaradas
que quanto mais querem ser secretas
mais se tornam indiscretas
mais abrem de par em par as sacadas.
É uma casa cheia de buracos,
correntes de ar e ventos,
um antro de vazios que se querem opacos,
e se tomam por cheios e plenos.
Um enigma revelado à luz do dia
antes do envelope ser selado,
uma pirâmide ridícula que seria
toda ela um quarto revelado.
Pela porta que acolhe os forasteiros
entra o sol do dia e espalha por bem
uma luz por dentro que tudo aquece cá fora.
Mas penetram falos também…
Não é uma casa, é um hospício,
um triste palácio das arábias transparente
que não passa de casinha de brincar e por vício
uma obra em estaleiro permanente…
JLC290804
