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A língua, quem a pode domar?

Tu língua, membro tão pequeno

Que fazes grandes fanfarrices,

E vede quão pouco fogo

É necessário para incendiar um bosque!

Tu que deitas da boca para fora,

Uma língua que se levanta e demora

Língua tão pequena porém venenosa

Quando se agiganta fere, e é maiúscula

Língua de fogo e também vernácula.

A língua pode ser bálsamo ou fogo

Pode levantar-se em favor da justiça

E pode constituir um mundo de injustiça

Manchar o corpo e incendiar a roda da vida.

A língua de poeta, escritor ou pedreiro

Pode ser aguda, vermelha ou de escarlate

Pode soltar-se, ou andar à míngua

Pode ser benévola, ou dizer disparate!

A língua quem a poderá domar?

Pomos freios nas bocas dos cavalos

Para os dirigir, ou fazer parar

Mas há línguas de vaca que dão estalos.

A língua também se refoga e se come

Porém, outra língua, é porca e indisciplinada,

Prejudicial e cheia de veneno mortífero.

Com a língua bendizemos a Deus,

E amaldiçoamos com ela os homens

Que vieram a existir na semelhança de Deus.

E tantas e tantas vezes da mesma boca

Procedem benção e também maldição.

A língua é um fogo e por vezes louca,

Difícil de domar neste mundo cão.

Todos nós tropeçámos muitas vezes,

Se alguém de nós não tropeçar em palavra,

Esse homem é quase perfeito, vencendo reveses,

Como um barco grande guiado

Por um leme bem pequeno.

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