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A Grande Bebedeira do Poema

Entre muitas opções: partir e chegar

Eu opto por partir para uma aventura,

Mas também opto por aqui ficar

Dando ternura à poesia até se calar.

O poema apanhou uma bebedeira

De caixão à cova, mesmo à maneira;

E começou a delirar como um vulcão

Dizendo: De amores sabia Camões

Que matava a nefasta sede da paixão

Escrevendo versos ás donzelas da corte

Nas madrugadas em que seu peito

Vilão pateta expelia incenso e mirra.

Apertou dois braços de marfim

Depois sonhou em travesseiros de cetim

Para os lados do passo da rainha.

Entre o partir e o chegar

Prefiro partir para a aventura

E chegar na hora da sesta do guerreiro

Que sem lança luta contra o vento

Da apatia de quem pouco lê

Que é o resultado de ver muita TV.

Entre beber água ou beber vinho

Procuro ser moderado com a água

Não exceder no moscatel, mas sim no carinho.

Ente os Prosadores e os Poetas

Prefiro os dois: Alguns poetas são patetas

E muitos prosadores outros impostores.

Entre a lucidez e a bebedeira

Prefiro as duas: Rejeito a que produz cirrose

Mas não poupo uma bebedeira de poesia,

Os poetas sabem tudo sobre o amor e versos

São chatos mas entendidos em canções

E não querem perder de vista a poesia

Que é esquiva fugitiva carinhosa e matreira

Oásis de promessas e vulcão de paixão.

Entre beber água-pé e escrever poesia

Prefiro cada dia, saborear a bebedeira do poema.

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.