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A Festa do Avante a as vénias do Estado ao PCP

O Partido Comunista Português (PCP) esfrega as mãos de contentamento, com tanto a favor e tanto contra a Festa do Avante. O que importa é estar nas bocas do mundo, o resto é apagamento!

A Festa do Avante é o maior evento político-cultural português (três dias) e na sua organização faz lembrar os eventos da Igreja (Kirchentag), na Alemanha. A Festa do Avante, como evento político-cultural, expressa a relevância da esquerda em Portugal e a importância de um voluntariado criativo e idealista na organização do festival.

Já que não temos Fátima nem futebol nem arraiais, haja, pelo menos, festa para a esquerda; caso contrário, em tempo de pandemia, até nos esqueceríamos que vivemos num Estado partidário de crença secular que se empenha pelo cultivo do seu credo!

Ou será que num meio político imune e descarado se torna irrelevante o andar ou não com máscara?

Se é permitido festejar, que seja admitido para toda a gente! Regras, quando muito, que sejam iguais para todos.

Apesar da pandemia, numa lógica antigovernamental, o Avante leva a sua avante, o que vem confirmar a ideia dos que defendem que a conversa do governo em torno do coronavírus não é mais que um exercício para o confinamento da vontade popular…

Os privilégios do PCP são os garantes de uma sociedade alinhada à esquerda

A ação do PCP em Portugal pode resumir-se na seguinte frase do Tenente Coronel João José Brandão: “o PCP não manda, no sentido em que não ocupa, nominalmente, as cadeiras do Poder. Mas manda, no sentido em que condiciona tudo o que se passa”.

O regime de abril sem a ideologia comunista seria, na praça pública, como um galão feito com café de cevada! Por obra e graça da nova classe política toda a informação social tem um sabor característico de abril (Se o aroma social anterior tinha um cheirinho a Salazar o novo regime substituiu-o pelo cheirinho a comunismo; mas em questão de cheiros não se discutem gostos!).

É triste a situação política e económica portuguesa por termos a pouca sorte de termos uma direita complexada e uma esquerda oportunista; uns e outros fechados em si mesmos e como tal não atentos aos verdadeiros problemas nacionais.

O medo e o oportunismo revelam-se como garantes de um sistema partidário conivente ao serviço de corporações, mas à custa do bem comum.

Outra não será a razão pela qual os partidos em vez de exercerem controlo efetivo sobre o Estado e o Governo com ações concretas (denúncia das irregularidades à justiça, etc.) apenas se interessam em comentar, na praça pública, os males do adversário político.

Homens do jeito de Sá Carneiro e de Ramalho Eanes não são bem vistos nas elites de Portugal…

António da Cunha Duarte Justo

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