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A falta de pensão de alimentos nunca leva à crise de valores cívicos

Ainda estou frenético depois da fantástica noite televisiva de ontem. A SIC e a TVI deram tudo por tudo, porra! Mas também diga-se que não precisavam de ir lá fora buscar a Conchita Wurst, porque bastava mandar o José Castelo Branco deixar crescer a barba, e o assunto estava resolvido. Ainda assim, gostei de ver que a Rita Pereira. Notei que estava sempre com um olho na TVI e outro na SIC. É curiosa a miúda.

Ora, vamos lá então ao que interessa hoje: “Crise leva mais pais a não pagar pensão de alimentos”, diz o JN de hoje. Ao que parece, são cada vez mais as pessoas separadas que deixam de pagar as pensões de alimentos que lhes são impostas pela Justiça. Até aqui, tudo bem, há vários motivos para que as pessoas deixem de contribuir de forma monetária a pensão de alimentos que lhes foram impostas. Contudo, tenho notado que para além de deixarem de contribuir de forma monetária, deixaram também de seguir a vida dos filhos e de se importarem com a educação dos mesmos. Ora, se estão a falar de crise, creio que será legítimo trazer também à baila a questão da crise de valores morais.

É certo que sem dinheiro, o “gato” costuma escaldar, porque neste momento o mundo mobiliza-se dessa forma. E julgo não existir outra forma de ignorar esse problema. Contudo, é certo que quem costuma assistir às notícias diárias também sabe que a grande percentagem de desemprego, e a drástica redução de rendimentos, contribuíram imenso para reduzir a qualidade de vida de cada cidadão. Mas isso não é desculpa para tudo, na minha opinião, claro.

E nisto tanto há más mães, como péssimos pais. Creio que nos dias que correm, a irresponsabilidade e a falta de valores cívicos estão em ambas as partes. Contudo, continuamos a importar-nos unicamente com valores monetários. Claro que quem normalmente fica a cargo dos filhos, tende a exigir o valor monetário, mas nem sempre é possível da outra parte retribuir. Ainda assim, a falta de dinheiro nunca é sinónimo de abandono ou não deveria ser. Uma chamada, um pequeno gesto, um passeio, há tantas formas de retribuir a falta de ajuda monetária, mesmo em períodos mais conturbados.

Claro que também há quem exija demais. E há casos em que há quem lucre com esses tais rendimentos, porque uma criança não gasta o mesmo todos os meses, nem tem todos os meses as mesmas necessidades. Uma criança nunca deixará de amar um pai ou uma mãe só porque o pai ou a mãe não mandou os 100 ou os 200 euros no final do mês. Mas se por acaso deixar, então é porque os dois pais falharam na educação que lhe deram. O amor e o ensinamento de valores cívicos são muito mais importantes do que outro valor monetário que possa estar “impedido” de ser retribuído por um período complicado de desemprego e crise monetária.

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