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A dívida do PS

© Pixabay

Na notícia premeditadamente falsa, ou pelo menos equívoca, por saber que a perceção do conteúdo muitas vezes se reduz aos títulos, Mário Centeno informou que “Portugal concretizou o pagamento do total da dívida ao FMI, com a liquidação de 4,7 mil milhões de euros”.

Sucede que, em termos práticos, não pagou nada. Limitou-se a substituir a dívida ao FMI, por nova dívida contraída nos mercados. Basicamente, trocou o credor FMI por outros credores, poupando em juros 100 milhões de euros. Mas foi quanto bastou para que muitos se desdobrassem nas maravilhas do Governo que “pagou a dívida ao FMI”, omitindo que a quantia em singelo se mantém, continuará a ser paga pelos contribuintes e só existe, como resultado da bancarrota irresponsável de 2011, que muitos dos socialistas que estão novamente no Governo, nesse infeliz tempo legaram às gerações futuras.

Dito isto, para que se mantenha perspectiva em relação à realidade, sopesemos termos de comparação que dizem tudo.

Um comentador televisivo adiantou que uma auditoria à gestão da CGD revelou “várias operações ruinosas” entre “2005 e 2008”, que poderão ter consequências jurídicas e criminais. Só não se compreende a surpresa.

Num exemplo, a Operação Marquês tem como arguidos José Sócrates e Armando Vara, entre outros factos, pelos financiamentos ilícitos que o Ministério Público sustenta terem sido concedidos pela CGD, para concretização de um empreendimento em Vale do Lobo, no Algarve, entre 2006 e 2010, e para favorecimento do Grupo Lena.

Como é sabido, a CGD, que é o “banco do Estado”, foi recapitalizada recentemente em 4,6 mil milhões de euros, na maior parte com esforço dos contribuintes, precisamente porque no período em causa, alguns socialistas geriram o banco com a mesma competência com que governaram o país. A Portugal trouxeram a troika e à CGD o bolso sem fundo de quem paga impostos.

Significa que o “buraco” de um banco apenas foi equivalente à dívida remanescente de Portugal ao FMI. Tivesse havido juízo e seriedade na CGD e não se poupariam 100 milhões de euros em juros. Estar-se-ia a pagar realmente tudo ao FMI e a financiar hospitais, escolas e transportes onde falta o básico. Agradecer aos socialistas hoje no Governo pelos prejuízos absurdos de outra estadia trágica no poder entre 2005 e 2011, só por brincadeira.

Já agora, bom mesmo seria saber por que razão se oculta a lista dos devedores à CGD, que o CDS pediu, mas o PS nega. Proteção de dados? O Estado publica todos os dias listas de devedores ao Fisco. Aí, evidentemente, já não há qualquer problema.