
A delação premiada é um assunto recorrente nas várias cores políticas. Mas percebe-se. O crime de colarinho branco pulula mais nessas esferas.
Há sempre, por parte dos políticos da linha da frente, que ter em conta a protecção duns sequazes, em abstrato ou com objectivo definido.
Há que deixar no horizonte a prevenção passada, mas também, a dirigida ao futuro. Nunca se sabe o dia de amanhã: podemos nem saber que é Sexta-Feira.
Como diria Manuel Maria Barbosa l’Hedois du Bocage: convém ver em que páram as modas.
Na vigência da delação premiada eu recuso-me a um eventual julgamento nos tribunais que envolva testemunhos delatórios. É muito simples:
– O delator, o que delata para sair premiado – (e recordo a sujeição do ex-Ministro da Defesa, Azeredo Lopes, no caso Tancos, quando dizia que “no limite pode nem ter havido furto nenhum”!) – o delator, dizia, pode romancear para ser premiado um crime, dar-lhe um escopo favorável a si, acusado ou acusador.
O delator dá uns coices na Democracia, aquando a dita Democracia mais anda na boca de toda a gente, e colocada em causa, na agenda quase diária, quase diria.
Tudo porque hoje se promove, se dá voz, a agremiações extremistas que existem exactamente pelo efeito da Democracia.
Para mim, partidos / grupelhos radicais, que entre outras bandeiras inconcebíveis, tem as do ódio, do racismo, da perseguição pura como fim definido, não tem credibilidade.
Lembra-me que a Comunicação Social hoje procura dar voz – toda a “visibilidade” – ao Chega e num amanhã, estes mesmos profissionais estarão a repudiar a extrema direita levada ao extremismo.
Não precisamos de ir a Coimbra para tal. Basta lembrar o meio século de um fascismo mais para o salazarismo.
Aí, os meus confrades – mas não apenas – vão lembrar que nada justificou cobrir a retórica veleta de André Ventura. Reitero, então estarão a cobrir manifestações contra o venturismo.
E no fim: Chega é anticonstitucional. Não é difícil ler isso. E sendo “esse senhor deputado” (sic Ana Gomes) contra a Constituição Portuguesa, não pode actuar na Assembleia da República, sob uma supremacia da lei fundamental com que não concorda.
(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico)
