6 Horas de Spa: Acidente violento de Félix da Costa marca final da corrida
As 6 Horas de Spa-Francorchamps ficaram marcadas por uma vitória histórica da BMW na categoria Hypercar do Mundial de Endurance (WEC), mas também por um violento acidente de António Félix da Costa, já nos minutos finais, em Radillon, que deixou o piloto português abalado, mas fisicamente ileso.
Perante mais de 101 mil espectadores no icónico traçado belga, Robin Frijns conduziu a BMW à sua primeira vitória absoluta na era Hypercar, dividindo o carro com Rene Rast e Sheldon van der Linde. A marca alemã completou ainda uma impressionante dobradinha, com o segundo carro a terminar logo atrás, enquanto a Ferrari #50 fechou o pódio.
A prova foi caótica praticamente desde o início. A Peugeot surpreendeu ao conquistar a sua primeira pole position na calsse Hypercar, mas não conseguiu transformar o bom arranque em resultados. O carro 94 perdeu a liderança logo na primeira volta e acabaria por abandonar, depois de Malthe Jakobsen bater no muro, atingido por um Mercedes GT3 que rodara à sua frente.
A Ferrari também viveu uma corrida atribulada: o carro 50 perdeu tempo num ‘pit stop’ problemático e o 51 foi eliminado após contacto com um GT na curva La Source, desperdiçando pontos importantes para o campeonato.
Houve ainda sustos na segunda partida, com o Aston Martin 27 a calcular mal uma ultrapassagem a um Alpine e a sair para a relva, evitando por pouco um embate forte nas barreiras.

Pouco depois, seria a vez de António Félix da Costa ver a sua corrida ruir. Depois de passar grande parte da prova na luta pela vitória e pelo pódio com o Alpine, o português sofreu um furo de pneu e, na última fase da corrida, perdeu o controlo em Radillon, batendo de forma violenta e abandonando a prova.
Nas redes sociais, Félix da Costa descreveu o dia como uma verdadeira montanha‑russa de emoções: “Estivemos a lutar pela vitória todo o dia, liderámos uma grande parte da corrida… e, a 30 minutos do fim, tudo deu para o torto.”
O piloto comentou ainda um incidente anterior com Alex Riberas e um Aston Martin, na luta por posição: “Foi uma manobra agressiva da minha parte, mas não que passasse os limites das regras, como os comissários confirmaram. Os dois queríamos muito aquela posição e nenhum de nós levantou ou abriu mão. Lamento o resultado final para ele.”
Sobre o acidente em Radillon, Félix da Costa não escondeu o alívio: “Antes de mais, estou apenas grato por estar aqui. Essa curva tem feito algumas vítimas nos últimos anos e fui muito sortudo ontem, Deus esteve definitivamente comigo. Cometi um erro, um pouco de excesso de velocidade com pneus frios e fui apanhado. Depois de parecermos ter um pódio ao nosso alcance durante a corrida, queria muito levar um bom resultado para casa para a equipa.”
O português refletiu ainda sobre o lado emocional do desporto: “As emoções que este desporto nos faz viver são incríveis: num minuto estamos nas nuvens, no seguinte só queremos desaparecer. Aprender a lidar com estas emoções e pensamentos tem sido a maior bênção da minha carreira”, escreveu, agradecendo o apoio recebido.
Enquanto vários concorrentes eram traídos por incidentes, furos e erros, a BMW construiu a sua vitória pela estratégia. Robin Frijns assumiu a dianteira graças a uma abordagem alternativa nas paragens, enquanto Kevin Magnussen, ao volante do outro Hypercar da marca, surgia em segundo na última hora de corrida.
Na derradeira relargada, o antigo piloto de Fórmula 1 teve um papel decisivo, ao defender de forma firme dos ataques da Ferrari 50 e do Toyota 7, permitindo a Frijns reconstruir uma vantagem confortável na frente. Após seis horas de prova, o holandês cortou a meta para garantir o primeiro triunfo da BMW na classe Hypercar, seguido por Magnussen, que completou a dobradinha, e pela Ferrari no terceiro lugar.