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20º aniversário da CPLP

A CPLP é uma organização multilateral original, está espalhada por vários continentes e tem uma identidade própria ligada à língua e às culturas dos seus Estados-membros. Tem já um considerável património de realizações e exerce, inegavelmente, uma crescente atração noutros países e organizações que querem ter o estatuto de observador.

Ao celebrar o seu 20º aniversario, a CPLP, olha para si própria, para o mundo globalizado em que se insere, mas também para o futuro, com confiança, como é evidente pela nova visão estratégica que será aprovada na próxima cimeira de Brasília.

Como organização relativamente jovem que é, a CPLP tem ainda um imenso potencial que pode desenvolver, particularmente na economia, na concertação político-diplomática, na cooperação estratégica.

Com o empenho de todos, a CPLP é tanto um importante instrumento de afirmação global, como para o desenvolvimento interno de cada um dos seus membros. Basta pensar na concretização dos ambiciosos objetivos dos planos de Ação de Brasília e de Lisboa, que definem metas comuns para a promoção da Língua, acesso ao ensino e à cultura e desenvolvimento científico.

Decididamente, a CPLP veio para ficar, porque todos compreendem que aquilo que eventualmente nos poderá separar é insignificante em relação à força do que nos une: a língua comum e os afetos forjados ao longo de séculos, que nos permite afirmar, sem retóricas vazias, que somos povos irmãos.

E é por isso que a eleição de António Guterres para Secretário-Geral da ONU é também uma vitória da lusofonia e do seu vasto universo, onde se incluem as importantes e estratégicas diásporas dos países da CPLP que multiplicam a nossa presença quase à escala planetária em mais de 150 países.

É através da Língua e dos afetos que nos chegam os ecos do nosso universalismo pela escrita de Jorge Amado, de Pessoa, de Pepetela, de Mia Couto ou Germano de Almeida. É através da língua e dos afetos que se espalham pelo mundo os sons do fado e da bossa nova, das mornas e coladéras, a riqueza do multiculturalismo e da diversidade cultural. A língua portuguesa é uma janela aberta para o mar e para o mundo. É parte integrante da nossa história, da nossa identidade coletiva, do nosso imaginário.

Como qualquer organização multilateral, a CPLP enfrenta em permanência os desafios das suas dinâmicas internas. Precisa de fortalecer as suas instituições, particularmente o Instituto Internacional da Língua Portuguesa, e de ter os recursos adequados para poder funcionar eficazmente. Precisa de estar mais enraizada nas opiniões públicas nacionais e progredir na cidadania e na mobilidade no espaço da CPLP, criando mais oportunidades para estudantes, trabalhadores e investidores.

Mas precisa também de cuidar em permanência da sua identidade, dos seus valores e princípios constitutivos. A defesa da Língua comum e da diversidade cultural, a paz e a estabilidade política, a democracia e o Estado de direito, os Direitos Humanos e a justiça social, devem constituir a base da nossa força coletiva.

Se pensarmos nas projeções demográficas para o conjunto da CPLP, facilmente vislumbramos um potencial imenso para o futuro. Prevê-se que após 2050 existam, pelo menos, 350 milhões de falantes da nossa Língua.

É, portanto, este rico e vasto património que hoje aqui celebramos. Celebramos a Língua, os afetos e a solidariedade, a amizade e a capacidade dos povos para ultrapassarem as suas divergências históricas. Celebramos uma organização que queremos forte, sempre mais forte, e que seja um orgulho para todos.

 

 

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