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Violência doméstica emocional frequente na comunidade portuguesa de Londres

A violência emocional é a forma mais frequente de violência doméstica existente na comunidade portuguesa, afirmou este sábado a responsável da Associação Respeito durante uma conferência sobre o tema.

Fernanda Correia admitiu que a agressão física é a forma mais visível de violência doméstica, mas aquela também pode acontecer na forma de violência sexual, financeira, emocional e psicológica,

“A violência emocional é mais subtil, porque não causa cicatrizes. Mas é prevalecente na nossa comunidade, quando dizem: ‘És gorda! Não vales nada!'”, disse a codiretora da associação.

“Existe em todas as classes sociais. É uma questão que nos afeta todos. É como uma doença da sociedade”, acrescentou Fernanda Correia.

Em 2014, a população do município de Lambeth, no sul de Londres, foi estimada em 310.000 habitantes, dos quais um em seis falava português.

No mesmo ano registou-se um aumento de casos de violência doméstica no município em geral e tornou-se evidente que também afeta a numerosa comunidade portuguesa.

No ano passado foram registados cerca de 6.100 casos de violência doméstica em Lambeth, revelou Pedro Xavier, Comissário para a Igualdade em Lambeth e sargento da Polícia Metropolitana.

Estudos identificaram este como um dos principais problemas que afetam a comunidade lusófona e que esta corria um “risco significativo de desigualdade na área social, saúde, entre outras”, disse a codiretora da associação Respeito, Maria João Melo Nogueira.

As vítimas são não só mulheres, mas também homens e as crianças, por isso dizem ser importante falar do problema da violência doméstica e do seu impacto.

Marcela Benedetti, consultora da associação, disse aos cerca de 30 presentes: “Se notarem sinais e eles contarem alguma coisa, acreditem. A maior parte das pessoas que me abordam queixam-se de que ninguém acreditou. Os responsáveis são muito convincentes.”

Pedro Xavier aconselhou que, em vez de uma intervenção direta, se procurem aconselhamento e serviços profissionais, enquanto que o vice-‘Mayor’ de Lambeth, Guilherme Rosa, manifestou a esperança de que a Respeito consiga chegar a certas vítimas que nem sempre se sentem à vontade para procurar ajuda.

Formada em finais de 2016, a associação Respeito propõe-se sensibilizar a comunidade, facilitar serviços de apoio, quebrar o ciclo de abuso doméstico e trabalhar em parceria com outras entidades para que estes serviços correspondam às necessidades dos utilizadores.

A associação propõe-se prestar serviços confidenciais, informação em português, realizar campanhas de sensibilização e workshops, encaminhar e facilitar o acesso a apoios e serviços, fazer o acompanhamento a famílias e, quando necessário, prestar assistência em tradução e interpretação.

Atualmente tem em curso três projetos: “Strengthening families”, Open Doors” e “Acompanhamento às Famílias”, em parceria e com o apoio e financiamento da London Community Foundation, Direção Geral dos Assuntos Consulares, Mayor’s Office for Policing and Crime MOPAC, associação Corações com Coroa e Secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade (SECI).

Durante a conferência, Fernanda Correia deixou um aviso: “Nenhum de nós está imune de ser vítima de violência doméstica”.