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Um dia feliz para mim

Hoje consegui algo que estava há imenso tempo à procura. Algo que marcou parte da minha adolescência tal como marcaram muito outros livros.

Grande parte da minha adolescência passei-a a ler e recordo-me com saudades o momento que chorei compulsivamente quando o Portuga morreu num acidente contra um comboio no “Meu Pé de Laranja Lima”. O que me ri com o humor negro, perante a cobiça das botas de um soldado que ficou amputado das pernas durante a Primeira Guerra Mundial no “A Oeste Nada de Novo”, também chorei com esse livro e as cenas de uma guerra. Vivi aventuras no “Conde de Monte Cristo”, e li coisas incríveis, livros fascinantes, alguns não aconselhados para a minha idade, mas na altura apenas havia dois canais de televisão que nem sempre estava a funcionar, havia uns jogos que ligavam à televisão, e os jogos estavam em K7. De maneira que passei tarde inteiras deitado na cama a comer bolachas e a ler livros como por exemplo “Mãos Sujas”.

A minha vida modificou-se toda quando fui obrigado a ler o “Viagens Na Minha Terra” e mais a cabra da Joaninha para aqui e para ali. Foi o livro mais seca que li, ainda para mais obrigado, e em vez de motivar para a leitura, desmotivou-me completamente e estive, depois disso, sem ler qualquer livro de livro a não ser os técnicos, anos a fio. Por mim eu tinha enforcado a Joaninha logo no primeiro capítulo, culpado o Almeida Garrett e apresentado a Georgina ao Ronaldo.

Mas vamos falar de coisas boas, e em adolescente, aconteceu-me em duas vezes, ler um livro num ápice até ao fim, e a seguir fazer um reforço de bolachas e voltar a lê-lo.

Um deles foi o Papillon, e quis a sorte que tenha dois exemplares em casa. Não faço ideia como é que vieram cá parar a mas se estiverem à rasquinha para o lerem, tenho muito gosto em vos emprestar um deles.

Mas há um livro que me marcou imenso, e uma vez comprei um exemplar e porque emprestei a alguém que não me devolveu, tive que comprar um outro exemplar e voltou a desaparecer.

Volta e meia em alfarrabistas procuro-o mas sem sucesso, até que ontem a Ana descobriu que estavam à venda na FNAC de Coimbra. Eram dois exemplares e comprei-os aos dois: um deles foi para oferecer  e o outro é manter em casa sem que o mesmo saia de lá, nem mesmo com a promessa de “quando acabar de ler devolvo-te”. Se alguém quiser, vai a minha casa e lê-o lá! E pode levar bolos e bebidas que não me importo.

O livro chamava-se “Três Homens Num Bote”, e chamava-se porque actualmente tem o título de “Três Homens Num Barco”. Estive a ler as primeiras páginas e continua excelente, que saudades e alegria me deu reencontrar o prazer da leitura desse livro com quase 150 anos. A actual versão apenas peca porque está escrita com adaptação ao novo desacordo ortográfico, e também com um vocabulário mais recente, e um pouco mais politicamente correcto.