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Ryanair: a partir de novembro a bagagem de mão é paga

A partir de dia 1 de novembro será implementada uma nova medida que obriga os passageiros não prioritários a pagarem seis euros para poderem transportar bagagem de mão até 10 quilos a bordo e oito euros para despacharem a sua mala para o porão.

A mudança no sistema vem com a nova política aplicável aos viajantes que não compraram bilhete prioritário, anunciada em agosto: os clientes com bilhete prioritário têm transporte de bagagem de mão e de porão incluída; já os clientes não prioritários que pretendam transportar bagagem de mão, terão de pagar para o poderem fazer, algo que não acontece em mais nenhuma companhia lowcost como a EasyJet, a Vueling, a Iberia, a AirEuropa e a AirLingus.

Atualmente, a Ryanair permite ao viajante com bilhete standard transportar apenas uma mala pequena ou uma mochila, no máximo com 40 centímetros de comprimento, 25 de altura e 20 de largura. Esta alteração, disse a companhia aérea quando anunciou as mudanças, são uma forma de diminuir os atrasos nos voos que se têm verificado por complicações por causa de excesso de bagagem de mão.

Em Espanha, a medida já gerou controvérsia e houve até associações de defesa do consumidor que classificaram a nova política de bagagem da companhia irlandesa como ilegal. “É um aumento de preço ilícito que não pode ser permitido”, afirmou Ruben Sanchez, porta-voz da FACUA, uma associação de proteção dos direitos do consumidor espanhola, citada pelo El Español.

A organização alega que este novo sistema é apenas uma forma de a companhia aérea ganhar mais dinheiro. Por isso, apresentou uma queixa contra a empresa irlandesa, citando o artigo 97 da Lei da Navegação Aérea espanhola:

A transportadora é obrigada a transportar gratuitamente na cabine, como bagagem de mão, objetos e embalagens que o passageiro carregue consigo.”

O mesmo grupo apontou ainda que as companhias aéreas só podem cobrar pelas bagagens de mão “por razões de segurança, relacionadas com o peso ou tamanho do objeto, de acordo com as características da aeronave”.

A DECO (Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor) considera que esta medida “não é ilegal”, mas que “levanta preocupações”, além de “contrariar uma prática comum do setor, pois, regra geral, os passageiros transportam bagagem, seja ela de cabine ou de porão”.

A associação que defende os consumidores portugueses considera ainda que a forma como a decisão será implementada levanta várias dúvidas: “A medida será aplicada a partir de novembro a todos os voos, ou somente a quem comprar bilhete após essa data?”, questionou a DECO em comunicado, considerando que “o novo encargo não deve ser cobrado a quem já tem bilhete comprado, pois quando o consumidor adquiriu o bilhete, esse custo não estava em vigor”.