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Portuguesa inventa jogo para ajudar crianças com deficiências

É um baralho de cartas que junta quatro métodos de comunicação: braile, língua gestual, grafia e alfabeto fonético internacional. Trata-se do projeto “EKUIzar para mudar o Mundo!”, da Associação Leque, e é o grande vencedor da sexta edição do Prémio Maria José Nogueira Pinto em Responsabilidade Social.

O EKUI é uma metodologia de alfabetização inclusiva única em Portugal e no mundo e tem como objetivo ensinar, de forma lúdica, crianças e adultos a comunicar sem barreiras.

O projeto foi criado em 2015 por Celmira Macedo, professora de educação especial. Tudo começou como “uma estratégia de trabalho para alfabetizar e desenvolver competências em alunos com autismo, com dislexia, com síndrome de Down, alunos cegos ou surdos”, explicou a criadora à Rádio Renascença.

O baralho de cartas chegou a várias escolas e os resultados foram “extraordinários”. “Percebemos que os alunos sem qualquer deficiência também aprendiam mais rapidamente o alfabeto, desenvolviam competências de comunicação e, mais extraordinário ainda, começaram a desenvolver competências de cidadania e respeito pela diferença”, conta em entrevista à Renascença.

Mas afinal, como funciona o jogo? “Imaginem como é que aprenderam a ler, a escrever e a falar e agora vamos transpor para este baralho de cartas. Aprendemos a falar observando os fonemas que saíam da boca dos nossos pais, por isso, fomos buscar o alfabeto fonético. Também aprendemos muito a memorizar e a fazer leitura icónica da sociedade. Então fomos buscar uma pista visual para ajudar a perceber a grafia do alfabeto, usando a língua gestual portuguesa. Quisemos que este baralho fosse inclusivo, por isso fomos buscar o braile. Tem braile visual e braile tátil também, para incluir pessoas com algum tipo de deficiência a nível visual”.

O projeto “EKUIzar para mudar o Mundo!” já envolveu diretamente mais de duas mil crianças em 133 escolas de todo o país.

Os dez mil euros atribuídos pelo Prémio Maria José Nogueira Pinto já permitiram lançar uma aplicação para telemóveis. O próximo passo passa também por disseminar a metodologia através de tutoriais digitais.

“De Melgaço a Pinhal Novo”, o EKUIzar começou por dar formação aos professores que quiseram aderir e aplicar o método nas suas aulas e vai conferindo os resultados com os docentes.

Os promotores do projeto estimam que há “uma taxa de sucesso de 89%”.