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Papa Francisco critica sistema económico que fomenta o desemprego

O Papa Francisco criticou um sistema económico que fomenta o “desemprego”, numa mensagem enviada aos participantes num encontro de representantes sindicais e movimentos da pastoral operária que se conclui hoje no Vaticano.

O texto, publicado pela sala de imprensa da Santa Sé, apresenta uma trilogia de ‘T’, terra, teto e trabalho.

“Não queremos um sistema de desenvolvimento económico que fomente gente desempregada, sem teto, desterrada”, advertiu o Papa.

Francisco apresenta o trabalho como “chave para o desenvolvimento espiritual”, rejeitando visões que instrumentalizam os trabalhadores.

“Quando o modelo de desenvolvimento económico baseia-se apenas no aspeto material da pessoa, ou quando beneficia apenas alguns, ou quando afeta o meio ambiente, gera um claro tanto dos pobres como da terra”, advertiu.

A mensagem apela ainda a uma transformação da “indústria energética atual”, apostando em fontes renováveis, sem que essa mudança seja paga “com o trabalho e o teto dos mais necessitados”.

O Papa falou depois de uma segunda combinação de três ‘T’, trabalho, tempo e tecnologia, para realçar o papel das lutas operárias contra “uma mentalidade utilitarista, de curto prazo e manipuladora”.

“Fazem falta pessoas que trabalhem sem cessar para gerar processos de diálogo a todos os níveis”, acrescentou.

Francisco desafiou sindicatos e movimentos de trabalhadores a promover a solidariedade, rejeitando qualquer forma de “corrupção”.

O Vaticano promove desde quinta-feira um debate internacional sobre movimentos de trabalhadores e sindicalismo no mundo globalizado, que se vai concluir com uma intervenção do Papa Francisco.

O Movimento Mundial de Trabalhadores Cristãos (MMTC) é representado pela sua copresidente, a portuguesa Fátima Almeida, e por Abraham Canales, diretor da revista ‘Noticias Obreras’.

Com o tema ‘Da Populorum Progressio à Laudato si. O trabalho e o movimento dos trabalhadores no centro do desenvolvimento integral, sustentável e solidário’, a iniciativa apresenta o mundo laboral como “chave” para o desenvolvimento na era da globalização.

A UGT – União Geral de Trabalhadores está representada pelo secretário-geral, Carlos Silva, e pelo secretário executivo, José Cordeiro.

A prevista audiência pontifícia com organizações sindicais acabou por não se verificar, face aos preparativos em curso para a próxima viagem do Papa, que se inicia no domingo, com destino a Mianmar e Bangladesh.