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Padre português pede aos colaboradores do Papa mais desejo

O padre e poeta português José Tolentino Mendonça alertou para um “défice de desejo” na Igreja e na Cultura, falando ao Papa e seus colaboradores mais diretos, no seu retiro anual de Quaresma.

“Há nas nossas culturas e, ao mesmo tempo, nas nossas Igrejas, um défice de desejo. Quando se percebe, no momento atual, o emergir, e em escala cada vez maior, de sujeitos sem desejo, isso deve levar-nos a uma autocrítica eclesial”, assinalou o pregador, numa reflexão divulgada pelo portal de notícias do Vaticano.

Os Exercícios Espirituais, iniciados este domingo, decorrem em Ariccia, arredores de Roma, com o tema geral ‘Elogio da sede’.

Hoje, o padre Tolentino Mendonça refletiu sobre a preguiça, a “atonia” da alma, que provoca apatia e indiferença.

“Quando renunciamos à sede, começamos a morrer”, assinalou.

Na tarde de segunda-feira, o vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa alertara para o risco de transformar a fé num “castelo de abstrações”.

“Preocupamo-nos mais com a credibilidade racional da experiência de fé do que com a sua credibilidade existencial, antropológica e afetiva”, observou.

O autor e biblista, consultor do Conselho Pontifício da Cultura (Santa Sé) assinalou a crescente utilização da literatura ao fazer teologia, apresentando os escritores e poetas como mestres espirituais; nesse contexto, citou autoras como Clarice Lispector ou Simone Weil.

O padre Tolentino Mendonça citou o Papa Francisco para alertar contra as tentações da autossuficiência e a autorreferência”.

“Devemos reconciliar-nos com a nossa vulnerabilidade”, defendeu.