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Os lusodescendentes mais influentes do congresso americano

David Valadao (na foto acima), do Partido Republicano, e Jim (Jaime) Costa (foto abaixo), do Partido Democrata, são os líderes do Portuguese Caucus no Congresso dos Estados Unidos, que é constituído ainda por Devin Nunes, republicano próximo de Donald Trump e presidente da Comissão dos Serviços Secretos da Câmara dos Representantes, David Cicilline, democrata de Rhode Island, Lee Zeldin, republicano de Nova Iorque, Joe Kennedy, entre outros. “Quando há algum assunto, que esteja relacionado com Portugal ou com os portugueses, tentamos reunir o caucus para assinarem cartas ou conversar sobre o assunto”, refere David Valadao ao Jornal de Negócios.

David Valadao, 40 anos, foi um dos primeiros apoiantes, no Partido Republicano, da candidatura de Donald Trump. Quando este fez referências pouco elogiosas à comunidade mexicana e lançou, como ideia chave da sua campanha, a construção de um muro entre o México e os Estados Unidos, o então candidato à reeleição ao Congresso fez uma declaração pública em se recusava a apoiar um candidato com uma retórica que “denegria uma população baseada na etnicidade, religião ou incapacidade”. David Valadao, descendente de portugueses, defendia assim os seus eleitores que, no 21st Congressional District, que inclui Coalinga, Hanford e Delano na Califórnia, são sobretudo de origem hispânica (72%). Esta atitude não tinha apenas a ver com cálculos eleitorais, mas por convicção. Pelo seu trabalho no Congresso tinha ganho reputação, mesmo junto dos congressistas do Partido Republicano, de ser um dos principais defensores de uma “reforma da imigração compreensiva”, que tivesse em conta os dreamers.

Hoje não é tão crítico de Donald Trump. Considera que “é uma pessoa que pensa e age de forma diferente dos políticos, mas tivemos presidentes que falavam como as pessoas gostam que os políticos falem, mas continuámos com aos problemas por resolver. Nesta altura está a aprender a exercer as suas funções, que são diferentes da forma de gerir um negócio privado”.

Por outro lado, a sua experiência como congressista diz-lhe que “a comunicação que tenho hoje com a Casa Branca é melhor do que a que tinha com a presidência de Barack Obama, e há congressistas democratas que são da mesma opinião”, diz David Valadao. Marc Short, White House director of legislative affairs, que está sempre em contacto “connosco no Capitólio, onde passa grande parte do tempo, ou na Casa Branca e nem cheguei a conhecer a pessoa com que era suposto falar na presidência de Obama”, explica o congressista.

David Valadao, neto de João Grande como era conhecido ao avô, na ilha dos Açores, nasceu nos Estado Unidos mas fala português, pois é a língua com que comunica com os pais. Por isso, hoje são os irmãos que gerem os negócios de produção de leite.

Jim Costa descende também de uma família ligada aos negócios da produção de leite, mas abandonou estes negócios em favor da plantação e exploração de frutos secos, nomeadamente amêndoa. Representa a terceira geração de portugueses oriundos dos Açores e começou a sua carreira política em 1976 como director de campanha de Richard Lehman, que se candidatou à Assembleia da Califórnia e ganhou a eleição. Quatro anos depois foi a sua vez e venceu. Desde então, com excepção, de dois anos, entre 2002 e 2004, em que foi CEO da então empresa familiar Grupo Costa, ganhou todas as eleições.

Quando há algum assunto, que esteja relacionado com Portugal ou com os portugueses, tentamos reunir o caucus para assinarem cartas ou conversar sobre o assunto. David Valadao
Partido Republicano

Foi membro da Assembleia do Estado da Califórnia entre 1978 e 1994, membro do Senado da Califórnia entre 1994 e 2002, e membro do Congresso desde 2004 e vai ser candidato em 2018 pelo District 16.

Murmura algumas palavras em português mas gosta de dizer o seu nome de baptismo em português, Jaime Manuel Costa. “As relações entre Portugal e os Estados fortes e vibrantes com mais de 3 séculos, pois Portugal foi o segundo país do mundo a reconhecer a independência dos Estados Unidos e tem resistido ao teste do tempo tanto com administrações democratas como republicanas e as mudanças políticas em Portugal e são ambos membros da NATO”, recorda Jim Costa.