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Nas empresas da diáspora, o sucesso é também talhado com colaboradores saudáveis

Ser empresário não é tarefa fácil nem é para todos. Vingar e ser bem sucedido é uma árdua tarefa, ainda para mais num país que não é o de origem. Assim, em primeiro lugar e desde logo, devemos saber valorizar e elogiar a coragem e a força dos portugueses que, com arte e engenho, e acima de tudo, com capacidade de resiliência e sacrifício, têm conseguido crescer e fazer no nome deles e do nosso País, um povo de conquista e de superação recorrente. Esta evidência que constato nas histórias de vida das centenas de clientes que tive o privilégio de ajudar como psicólogo clínico, psicoterapeuta e coach, quer em Portugal quer no estrangeiro, permite-nos constatar um traço comum às empresas destes empresários e executivos bem sucedidos: sabem  que ser líder não é ser chefe, e que uma empresa bem sucedida tem colaboradores saudáveis e bem tratados. Quando esta realidade acontece, as empresas, nas suas dinâmicas de trabalho e comunicação, proporcionam um clima organizacional positivo. Verificamos deste modo, que colaboradores saudáveis apresentam um melhor desempenho e uma maior produtividade, levando a empresa a ganhar vantagem competitiva.

Quem tem experiência de vida no tereno real, onde conquistaram o seu caminho a pulso, noto que, aqueles que investem e conhecimento e formação, sessões de desenvolvimento pessoal (Psicoterapia ou Coaching ou Mentoring), são os que sabem que as condições de trabalho contam para aumentar ou prejudicar a eficiência, eficácia e produtividade do seu negócio. Como grande parte da nossa vida adulta é gasta a trabalhar, se as condições de trabalho dos colaboradores são saudáveis, conseguiremos evitar o desenvolvimento de doenças ocupacionais, como por exemplo, stress, ansiedade e depressão. Desta forma, um bom empresário ou executivo entende que a prevenção e promoção, com especial atenção aos cuidados de saúde é uma âncora central do seu negócio, pois sem um corpo e mente sã não temos a produtividade no seu potencial máximo. Apostar na prevenção e promoção da saúde ocupacional é uma forma eficaz de minimizar “custos diretos e indiretos” para os seus funcionários (efeitos secundários dos fármacos, custos informais das redes de apoio) e para a comunidade onde se insere (exames, prescrições incorretas, absentismo profissional, falta de produtividade, reformas antecipadas, entre outras).

Uma empresa que se preocupa com um ambiente de trabalho saudável, verifica que os colaboradores e os gestores cooperam para o uso de um processo de melhoria contínua da proteção e promoção da segurança, saúde e bem-estar de todos os trabalhadores. É um caminho conjunto, onde as pessoas sabem que juntas vão mais longe para atingirem os objectivos comuns. Assim, para desenvolver um ambiente de trabalho saudável, uma empresa necessita de considerar as áreas de influência onde as ações possam melhor ocorrer, bem como os processos mais eficazes pelos quais os empregadores e os colaboradores possam empreender ações.

Consequentemente, um bom líder está atento a estes processos – riscos psicossociais – e preocupar-se-á em controlá-los, uma vez que estes riscos interferem com a saúde e com a produtividade do colaborador, e transformam equipas talentosas em equipas desmotivadas.

Para concluir, o controlo dos riscos psicossociais é uma preocupação dos bons empresários e gestores executivos eficazes, ainda para mais, quando a ciência já desenvolveu métodos objectivos, onde em gráfico e de forma detalhada, conseguimos dar um diagnóstico do ponto da situação das empresas, permitindo, depois, estabelecer um plano de intervenção e formação focado nos riscos identificados. Esta experiência que temos vindo a desenvolver nas empresas tem permitido criar sinergias e parcerias de sucesso, cujo resultado tem sido diminuir os conflitos laborais, melhorar a comunicação, aumentar a satisfação dos colaboradores, etc., ou seja, reduzir os riscos psicossociais, obtendo mais sucesso, com colaboradores saudáveis. Em anexo e como referência, deixamos duas fontes válidas e científicas sobre esta temática para quem quiser aprofundar mais conhecimentos.

Ivandro Soares Monteiro, Professor Doutor

Psicólogo Clínico/ Psicoterapeuta/ Coach de Executivos
www.ivandrosoaresmonteiro.com

Referências:

Organização Mundial de Saúde (OMS). 2010. Ambientes de trabalho saudáveis: Um modelo para ação. Para empregadores, trabalhadores, formuladores de políticas e profissionais. Disponível em:              http://www.who.int/occupational_health/ambientes_de_trabalho.pdf

EU-OSHA (2014). Guia eletrónico para a gestão do stress e dos riscos psicossociais. Disponível em: https://www.healthy-workplaces.eu/pt/tools-and-resources/aguide-to-psychosocial-risks.

(Artigo redigido em co-autoria com a psicóloga clínica Guia Ribeiro, a quem agradecemos)