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A minha chegada às Honduras

As Honduras é um país da América Central que faz fronteira com a Guatemala, Nicarágua e El Salvador. O meu objetivo principal não seria propriamente visitar o país em si, mas as suas ilhas, nomeadamente Roatan e Utila, que se situam no mar das Caraíbas. Descobrir praias exóticas, virgens e selvagens é sempre uma poção mágica para nos deixarmos encantar por fábulas supremas. Mas esse também não era o meu propósito primordial.

O grande intuito era nadar com tubarões, nomeadamente com o tubarão-baleia. Este último, considerado o maior peixe não-extinto conhecido, vive em oceanos quentes e de clima tropical. É usual o avistamento de tubarões-baleia nestas ilhas, daí ter percorrido milhares de quilómetros para concretizar um pequeno sonho.

Chegar à ilha de Roatan não foi pera doce. Para chegar a esta ilha, foram necessários quatro voos, iniciando na cidade do Porto. Espanha, Costa Rica e El Salvador foram os elos de ligação. Com algumas horas de espera no aeroporto de El Salvador, o embarque tornou-se num revistar constante e minucioso por parte das autoridades. Uma vez, duas vezes e mais algumas inspeções ditavam uma dúvida que pairava a cada átimo neste país, o tráfico de drogas.

Fosse à direita, fosse à esquerda, inúmeros polícias perambulavam com cães que farejavam as bagagens dos passageiros. Sobrevoar as Caraíbas e as inumeráveis ilhas semeadas ao longo do mar, foi como entrar num sonho ocular. Uma simetria e formosura desenhadas por tons azuis e verdes pautavam cada ilhéu, como notas musicais numa partitura bucólica. Uma paisagem deslumbrante banhada pela intensa luz solar. Finalmente em solo hondurenho, procurei um táxi e entreguei uma folha com o nome da pousada que tinha reservado. As primeiras impressões tinham uma semelhança incrível com a República Dominicana.

Por questões de segurança, todas as casas tinham gradeamento. Nas lojas ou no multibanco havia sempre um agente da autoridade com uma metralhadora bem visível. Passado algum tempo, paramos no meio do nada e o condutor diz que já tinha chegado ao meu destino final. Meio abismado por não ver qualquer tipo de aposento ou habitação, questionei-o se tinha mesmo a certeza. O taxista apontou para longe, dizendo que deveria seguir uma ruela em terra batida até encontrar a pousada. Despedi-me do condutor e segui as tais indicações.

Não avistava qualquer tipo de pousada, mas sentia-me bastante feliz por abraçar mais uma aventura. A única visão que eu tinha diante de mim eram as incontáveis palmeiras que seguiam pela ruela adentro. Passados alguns minutos, chego finalmente à pousada. A dona ficou bastante feliz por ser o primeiro português na sua hospedaria.

Na receção tinha um enorme mapa do mundo na parede, onde os hóspedes colocavam um pionese no seu país de origem. Sendo, pelos vistos, o primeiro luso neste aposento, a gerente pediu-me para colocar um pionese em Portugal. Uma vez que esta ilha de Roatan é conhecida pelo mergulho com tubarões e a de Utila é famosa pelos tubarões-baleia, pedi informações para o dia seguinte me aventurar mar adentro.

Aguardei durante alguns minutos e após um único telefonema, a gerente da pousada já tinha tudo agendado para o dia seguinte. Guardei a minha mochila no quarto e dirigi-me ao centro desta tacanha cidade à beira-mar. As praias eram simplesmente fabulosas. Imensos coqueiros e palmeiras embelezavam estas praias de areia branca e águas cristalinas. A flora e a fauna, assim como estes rostos de pele escura, faziam-me crer estar na República Dominicana. Uma semelhança extraordinária, a olhos vistos.

Mas o mais incrível eram os sorrisos das crianças que se divertiam com brincadeiras no mar, a nadar, aos saltos ou a salpicarem-se umas às outras. Uma felicidade tão pura e tão genuína acaba por me transfigurar aos poucos num eterno e convicto hedonista.