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François Fillon conta com comité de apoio português

Há vozes portuguesas “a bater terreno” desde janeiro para ajudar o candidato da direita, François Fillon, na campanha para as eleições presidenciais, disse à Lusa Paulo Marques (na foto acima), vereador em Aulnay-sous-Bois, nos arredores de Paris.

“Há iniciativas todos os dias nas feiras, duas vezes por semana distribuímos o programa nas caixas de correio, há encontros com os cidadãos. Há também iniciativas portuguesas em que os apoiantes de François Fillon vão ter com o movimento associativo, algumas organizações lusófonas, empresas e restaurantes. Desde janeiro estivemos a bater terreno”, explicou o autarca.

Paulo Marques é presidente do “Comité de Soutien Les Portugais avec François Fillon” (“Comité de Apoio Portugueses com François Fillon”) que junta cerca de uma centena de pessoas de origem portuguesa em França, incluindo autarcas, que “fazem o retorno sobre a campanha local” que se quer “focada no programa do candidato” do partido Os Republicanos.

Apesar de a campanha ter sido marcada por diversas revelações nos jornais franceses sobre alegados empregos fictícios da esposa e dos filhos do candidato – com Fillon a ser constituído arguido por alegado desvio de dinheiro público e apropriação indevida de fundos – Paulo Marques acredita no apuramento do candidato para a segunda volta e nem equaciona outra possibilidade de voto em caso de derrota.

“Ele vai passar à segunda volta. As sondagens já o tinham apontado como terceiro nas primárias dos Republicanos. A indecisão à primeira volta, nomeadamente pró-Macron é tão imensa que é muito provável que François Fillon esteja à segunda volta”, afirmou o franco-português de 47 anos.

Paulo Marques acrescentou que o antigo primeiro-ministro “será muito provavelmente o único que terá uma maioria na assembleia da república francesa” nas eleições legislativas de junho e considerou-o como “a pessoa mais preparada para conseguir dar resposta ao próximo mandato de cinco anos”.

“Em França, a situação socioeconómica é um caos. A taxa de desemprego disparou nos últimos cinco anos. Se não houver emprego, não há paz social. Segundo, é essencial que haja sinais fortes de segurança em França e que haja um apoio pelo candidato François Fillon, futuro presidente da República, para dar meios aos autarcas para poderem implementar uma política de segurança muito próxima do cidadão”, considerou.

Paulo Marques sublinhou que “no terreno todos os dias verifica-se que há sinais muito claros sobre a indecisão do voto” e afirmou crer que “no momento de escolher, os indecisos” não vão votar Emmanuel Macron, antigo ministro socialista da Economia, “o holograma de François Hollande”.

O autarca franco-português adiantou não acreditar que Marine Le Pen possa vencer as presidenciais porque ainda que tenha “um discurso que possa iludir e agradar alguns”, é “vazio, contraditório” e “o programa económico não é viável”.

No próximo dia 23, a França realiza a primeira volta das eleições presidenciais com um quase empate técnico entre quatro candidatos: Marine Le Pen (extrema-direita), François Fillon (direita), Emmanuel Macron (centro) e Jean-Luc Melénchon.