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Comunidade portuguesa na Austrália pede mais apoio ao ensino do português

As conselheiras das Comunidades Portuguesas na Austrália vão tentar obter apoios adicionais para o ensino do português durante a visita ao país do secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro.

O governante português começa no domingo em Sydney uma visita de mais de uma semana a Austrália e Nova Zelândia, acompanhado do presidente do Instituto Camões, Luís Faro Ramos.

Silvia Renda, uma das duas conselheiras das Comunidades Portuguesas na Austrália, disse à Lusa que a presença de Luís Faro Ramos na comitiva torna o debate sobre esse assunto ainda mais oportuno.

“Tem havido muito trabalho em relação ao ensino e em alguns casos é um trabalho que vem de há muito anos, mas há necessidade de ampliar os apoios. Estamos longe de tudo, o país é grande e os desafios são grandes”, disse à Lusa a conselheira pelo estado de Victoria.

“É uma oportunidade para falar diretamente com o presidente do Camões sobre estes desafios. Precisamos de ter mais contactos dos alunos com material e até com escritores que, por exemplo, visitam Nova Gales do Sul, mas depois não chegam a outros locais do país”, referiu.

Silvia Renda falava à Lusa na véspera do arranque de uma visita durante a qual vão ser assinados protocolos de cooperação com dois municípios australianos, com envolvimento de associações portuguesas na Austrália, para reforçar a integração institucional e a capacidade de intervenção em áreas como a educação, a cultura e o apoio social.

Os protocolos com Inner West Sydney e Melbourne, os dois primeiros estabelecidos pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros fora da União Europeia, destinam-se a “abrir as instituições locais ao movimento associativo, tendo em vista promover a cultura, a dinamização do apoio social ao movimento associativo”, explicou José Luís Carneiro.

Durante o encontro com o secretário de Estado, as conselheiras das Comunidades esperam ainda falar de aspetos como a necessidade de ampliar iniciativas de apoio social para uma comunidade “cada vez mais envelhecida” como é a portuguesa na Austrália.

“Também aqui o maior problema é espaço. Há bons projetos, boas iniciativas, como a do Welfare Center em Sydney, mas para as conseguirmos transportar para outros Estados tem de haver mais investimento, mais ajuda”, afirmou.

As grandes distâncias no país são um desafio para o trabalho do Conselho da Comunidades, com as conselheiras sem orçamento para visitar os vários Estados, incluindo à Austrália Oriental onde “a comunidade está sem apoio consular”.

Silvia Renda considerou ainda que a visita à Austrália pode ser uma oportunidade para recomeçar as negociações com Camberra de um acordo reciproco de saúde.

“Neste momento não temos isso, o que significa que pessoas que viajem temporariamente para a Austrália têm de obter seguro ou arriscam-se a ficar em situações difíceis”, afirmou.

“Sabemos que há acordos parecidos com outros países, o turismo para cá está a aumentar e o acordo recíproco beneficiaria os dois países”, considerou.

Durante a visita serão homenageados, com a entrega da Medalha de Mérito das Comunidades, dois cidadãos portugueses radicados na Austrália, Graciete Ferreira e José Manuel de Góis e será também atribuída a Placa de Mérito das Comunidades ao Museu Etnográfico Português da Austrália.

A deslocação contemplará, por fim, a realização de uma reunião do Conselho Regional da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas.

A eleição anual para o conselho regional das Comunidades Portuguesas na Ásia e Oceânia e a aprovação do relatório de atividades de 2017 e do plano de atividades para este ano dominam a agenda do encontro, presidido pela conselheira Rita Santos.

O Conselho das Comunidades Portuguesas tem atualmente 65 membros. O Brasil é o país que elegeu mais conselheiros, 13 no total, seguido por França, com dez conselheiros, Estados Unidos (sete), Venezuela (seis) e Alemanha, África do Sul e Suíça, com quatro conselheiros cada.

O CCP reúne-se anualmente em Lisboa e é o órgão consultivo do Governo para as políticas relativas às comunidades portuguesas, competindo-lhe, em geral, emitir pareceres, produzir informações e formular propostas e recomendações sobre as matérias que respeitem aos portugueses residentes no estrangeiro e ao desenvolvimento da presença portuguesa no mundo.