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António Marto vai integrar lista de portugueses que aconselham o papa

O bispo da Diocese de Leiria-Fátima, que na quinta-feira vai ser criado cardeal, é o mais recente português que vai aconselhar o papa Francisco no governo da Igreja Católica, integrando a lista outros cidadãos nacionais com esta tarefa.

O bispo Carlos Azevedo, delegado para os Bens Culturais do Conselho Pontifício da Cultura, considera que “nos últimos tempos nunca houve uma presença tão significativa de portugueses a colaborar com a Santa Sé”.

“Isso deve-se a uma consciência que o Sr. cardeal Saraiva Martins tinha da importância da língua portuguesa e de insistir que Portugal estivesse representado na Santa Sé”, disse à agência Lusa Carlos Azevedo, reiterando que “esta realidade se deve ao exemplo positivo e à insistência” daquele cardeal “com a Conferência Episcopal Portuguesa para que enviasse pessoas para trabalhar na Cúria”.

Sobre a nomeação como cardeal de António Marto, o delegado para os Bens Culturais do Conselho Pontifício da Cultura argumentou que esta “é uma questão pessoal do papa e não de país”.

Por seu turno, o chefe de gabinete do bispo de Leiria-Fátima, padre Vítor Coutinho, afirmou que o futuro cardeal “terá certamente oportunidade de aconselhar o papa, sempre que isso lhe for solicitado”, acreditando ser “provável que seja chamado para integrar alguma comissão no Vaticano”.

“Como cardeal será mais escutado e, nesse sentido, poderá ser mais uma voz portuguesa que chega mais longe no anúncio dos valores do Evangelho”, declarou Vítor Coutinho.

Dois antes da criação como cardeal de António Marto, na terça-feira, foi conhecida a nomeação do padre Tolentino Mendonça como responsável do Arquivo e Biblioteca do Estado da Cidade do Vaticano, numa decisão do papa Francisco considerada de “grande prestígio” para Portugal.

O poeta madeirense, que foi elevado a arcebispo, é atualmente consultor no Conselho Pontifício da Cultura.

Antes, em abril, o bispo José Avelino Bettencourt, que foi chefe do protocolo do papa, foi anunciado como núncio (embaixador) na Geórgia e Arménia, sendo o único português na carreira diplomática da Santa Sé.

Outros portugueses assumem cargos de relevo no Vaticano, como monsenhor António Ferreira da Costa, chefe de departamento na Secção dos Assuntos Gerais da Secretaria de Estado do Vaticano, ou monsenhor Mário Rui Oliveira chefe da chancelaria do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica.

O padre Saturino Gomes, da congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus, é auditor do Tribunal da Rota Romana e monsenhor António Saldanha é adido na Congregação para as Causas dos Santos. Igual cargo tem o padre José Manuel Ribeiro, mas na Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos.

Periodicamente deslocam-se a Roma para serem ouvidos nas respetivas áreas o cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, membro da Congregação para o Clero, e o bispo da Diocese de Bragança-Miranda, José Manuel Cordeiro, que faz parte da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos.

Nas mesmas circunstâncias estão o bispo auxiliar de Lisboa Nuno Brás Martins, membro do Dicastério para a Comunicação, e os professores catedráticos Pedro Barbas Homem (consultor da Congregação para a Educação Católica) e Lurdes Correia Fernandes, que faz parte do Comité Pontifício de Ciências Históricas.

Vivem em Roma em instituições eclesiais, mas não ao serviço do Vaticano, mas das suas congregações, da Conferência Episcopal Portuguesa ou do Estado Português, o padre jesuíta Nuno Gonçalves, reitor da Pontifícia Universidade Gregoriana, e o padre José Alfredo Patrício, reitor do Pontifício Colégio Português.

Monsenhor Agostinho Borges é reitor da Igreja de Santo António dos Portugueses e o padre Fernando Matos conselheiro eclesiástico da Embaixada de Portugal junto da Santa Sé.

Em Roma estão também religiosos e religiosas portugueses de diversas congregações que desempenham tarefas de caráter geral nos respetivos institutos, número que está em constante mudança.