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Portugueses apreensivos com crescimento da extrema-direita alemã

Membros da comunidade portuguesa na Alemanha manifestaram alguma apreensão pelo crescimento da extrema-direita, mas dizem-se tranquilos quanto aos resultados das legislativas de domingo porque nenhum dos favoritos tem políticas potencialmente prejudiciais para os estrangeiros.

“No que diz respeito aos portugueses, não há a mínima inquietação porque nenhum dos candidatos favoritos (Angela Merkel e Martin Schulz) a vencer as eleições legislativas tem políticas que poderiam ser prejudiciais aos cidadãos estrangeiros que aqui residem”, disse à Lusa Teresa Duarte Soares, professora e sindicalista que vive na Alemanha desde 1981.

Segundo as mais recentes sondagens, a União Democrata-Cristã (CDU), de Merkel, tem 36% das intenções de voto e o Partido Social-Democrata (SPD), de Martin Schulz, 22%. Em terceiro lugar surge o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), com 11%, seguido de Die Linke (A Esquerda, esquerda anticapitalista), 10%, o Partido Liberal (FDP), 9%, e os Verdes 8%.

Os membros do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), órgão consultivo do Governo português, Alfredo Stoffel e Nelson Guedes Campos concordam que os portugueses não estão preocupados com os resultados das eleições legislativas na Alemanha.

“As pessoas da comunidade portuguesa que têm dupla nacionalidade irão, provavelmente, votar nos partidos mais falados aqui na Alemanha, que são os democratas-cristãos, sociais-democratas, os verdes e os liberais”, sublinhou Stoffel, que vive há 40 anos no país e é técnico superior na indústria agroalimentar.

Stoffel esclareceu que os portugueses que não têm dupla nacionalidade – a maioria – não podem votar nas legislativas na Alemanha.

Manuel Rodrigues Machado – também conselheiro do CCP, que vive na Alemanha desde 1987 e que trabalha na área de logística -, referiu que “os portugueses têm a tendência a preferir no Governo alemão os candidatos da CDU ou do SPD”.

Alfredo Stofell disse ainda que “a comunidade portuguesa não se identifica com os partidos de extrema-direita”.

Já Rodrigues Machado disse que “existe entre os portugueses uma certa apreensão” pelo crescimento da extrema-direita no país, mas não acredita, como os outros dois conselheiros, que esta situação coloque em risco a posição da comunidade naquele país.

Nelson Guedes Campos, que nasceu na Alemanha há 34 anos e trabalha na área financeira, pensa que estes partidos de extrema-direita “não ganharão força suficiente para chegar ao poder”.

“Muitos alemães atiram as culpas ao Governo pelos atuais problemas do país, como o desemprego, as baixas pensões, os problemas na saúde, referindo sempre o dinheiro que se gasta com os refugiados. Estas pessoas poderão votar mais nos movimentos de direita”, referiu Teresa Duarte Soares.

Cerca de 180 mil pessoas com nacionalidade portuguesa vivem na Alemanha, de acordo com dados do Governo português.