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O lápis vermelho

© Pixabay

Para começo de conversa, fosse francês, votaria n”Os Republicanos, partido conservador de centro-direita que integra o PPE, a par do CDS. Significa que seria adversário de Marine Le Pen. Mas em democracia, as urnas respeitam-se.

Marine Le Pen é de extrema-direita, como o BE é de extrema-esquerda. A diferença é que tem muitos mais votos.

Marine Le Pen pode ser candidata em eleições presidenciais francesas, disputando a segunda volta, eleger autarcas, deputados, senadores e até vencer as eleições ao Parlamento Europeu. Mas não pode participar como oradora num painel da Web Summit, em Portugal, porque o BE não deixa e o organizador, Paddy Cosgrave, depois do convite feito, se acobarda, não assume os critérios que livremente definiu e, sem particular educação, desconvida.

É absolutamente ridículo que um partido recheado de adoradores de Estaline, Che Guevara e Nicolas Maduro, se arvore em paladino da defesa dos valores da democracia. Equivale a escutar Ricardo Robles perorar sobre os malefícios da especulação imobiliária, ou ter Francisco Louçã como Conselheiro do Banco de Portugal, sem memória de que nasceu para a política a abominar o capital. Soa tudo a falso; aliás, revelam-se tal qual são.

Na Escola velha dos partidos geneticamente nascidos do pensamento único, pudessem, controlavam tudo; o que ler, o que dizer, com quem falar, quem escutar. Na finada URSS, como na Albânia concorrente de Enver Hoxha, fazia-se assim. E não falta no BE quem, através da UDP e do PSR, lhes tivesse querido copiar os passos. Adaptaram-se como puderam às regras da democracia. O problema é que, como no condicionamento pavloviano, os tiques não resistem aos estímulos.

Ironicamente, porque os extremos realmente se tocam, no essencial das grandes decisões do Parlamento Europeu – euro, tratado orçamental, NATO, sanções à Síria ou Venezuela -, a extrema-direita de Marine Le Pen e a extrema-esquerda do BE, votam rigorosamente da mesma forma. De igual modo, os ícones-guia do BE estão longe de ser exemplos de tolerância. Sobre Hugo Chavez, louva-se na Esquerda-net a “luta muito importante contra o imperialismo e contra o FMI”, recordando-se, veja-se bem, que “enquanto na Europa a democracia está a falhar, na Venezuela a democracia tornou-se um sinal de identidade”. Também se homenageia o PREC, “expressão genuína” do 25 de Abril e condena-se “o golpe” do 25 de Novembro. Mas radicais são os outros.

Em vez da censura do “lápis vermelho”, que tal juntar Marine Le Pen e Francisco Louçã em debate na Web Summit, sobre a essência dos totalitarismos? Isso sim, seria história.