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Artista portuguesa Grada Kilomba apresenta “Secrets to Tell” no Canadá

A artista portuguesa Grada Kilomba inaugura a exposição “Secrets to Tell” na sexta-feira, na The Power Plant Contemporary Art Gallery, em Toronto, indicou esta quarta-feira à agência Lusa fonte do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT).

A exposição de Grada Kilomba é apresentada em conjunto com obras dos artistas Ellen Gallagher e de Abbas-Akhavan, e abrirá ao público no sábado, ficando patente até 03 de setembro, de acordo com um comunicado do museu canadiano.

Trata-se da primeira vez que que Grada Kilomba apresenta o seu trabalho no Canadá.

A artista apresentou “Secrets to Tell” em outubro do ano passado no MAAT, exposição que envolve um vídeo com texto e uma instalação.

Foi buscar as memórias da escravatura, que lhe vêm da infância: na casa da avó havia uma imagem da escrava Anastácia, que a família evocava como um símbolo de dor e resistência.

“Anastácia foi uma escrava que viveu com uma mordaça. Era uma forma de os proprietários calarem os escravos que falavam palavras de emancipação”, explicou, na altura, aos jornalistas, durante uma visita guiada no MAAT.

A mordaça, que impedia de falar, também impedia os escravos de comerem alimentos quando trabalhavam nos campos, ou de ingerirem lama para se suicidarem.

“O passado está sempre a influenciar o presente e esse presente muitas vezes não nos deixa chegar ao futuro. Esta pesquisa da memória tem a ver com a História, uma identidade do passado, para compreender o presente”, salientou a artista, que vive há mais de uma década em Berlim, onde tem desenvolvido o seu trabalho como artista e professora universitária.

O facto de ter vivido no Brasil também lhe proporcionou condições para uma reflexão profunda sobre os vestígios e marcas do colonialismo na sociedade atual: “É tão curta a distância temporal e histórica entre nós e o nosso passado colonial. E estamos ainda tão agarrados ao que sobra do edifício do colonialismo e do imperialismo ocidental. Daí a urgência e importância de debater estas temáticas”.

Grada Kilomba também é a autora do livro “Plantation Memories” em 2008, publicado pela alemã Unrast Verlag, no qual recolheu um conjunto de depoimentos de pessoas que vivem na diáspora relacionados com o racismo no quotidiano.

A obra, cuja quarta edição se encontra esgotada, vai ser agora editada em português.

Embora seja mais conhecida pelo seu percurso como escritora, Kilomba tem vindo a explorar práticas artísticas experimentais e interdisciplinares, utilizando e combinando diferentes meios de expressão, desde a performance e a vídeo-instalação, até leituras de palco e palestras que criam uma interface entre texto e imagem, linguagem artística e linguagem académica.

“O meu objetivo é sempre apropriar os espaços com novas configurações de conhecimento. É um trabalho político, paralelamente ao meu trabalho artístico. A intenção é descolonizar o discurso”, disse, também na altura, sobre o sentido da sua obra.

Nascida em Lisboa e com raízes em São Tomé e Príncipe e Angola, Grada Kilomba tem vindo a pesquisar as ideias de género, raça, trauma e memória, no âmbito das problemáticas atuais sobre o colonialismo e pós-colonialismo, no início do século XXI.