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Agosto, emigrantes e economia

Os dados mais recentes do desempenho da economia portuguesa, que tem mantido nos últimos anos uma trajetória de incremento, sustentam que no passado mês de agosto assistiu-se a uma forte dinâmica de crescimento alavancada no costumado regresso dos emigrantes à terra natal durante o período estival.

A dinâmica económica resultante do regresso a casa nas férias de Verão de milhares de compatriotas que vivem e trabalham no estrangeiro, teve um impacto considerável ao nível da restauração e hotelaria, assim como ao nível do comércio. Segundo a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), a maior confederação empresarial do país, no segmento alimentar há inclusivamente lojas que registaram vendas em agosto superiores às habitualmente obtidas na quadra natalícia, época em que os estabelecimentos anseiam pelo potencial aumento de consumo.

As palavras de João Vieira Lopes, presidente da CCP, são inequívocas sobre o impacto económico do regresso dos emigrantes no Verão ao território nacional, com particular incidência no Centro e Norte, e sobretudo nas áreas do segmento alimentar:” Há lojas que conseguem faturar mais em agosto, com a vinda dos emigrantes, do que em dezembro, com o Natal”.

O dirigente da CCP salienta em especial, as vendas de vinho do Porto que os emigrantes “compram muito para levar e oferecer aos patrões e amigos”, assim como vestuário e calçado, “com preços mais atrativos em Portugal”, e eletrodomésticos e mobiliário.

A dinâmica que se verificou em agosto foi transversal a outras áreas da economia nacional, como por exemplo, no imobiliário, setor onde muitos emigrantes próximos da reforma e do regresso definitivo a Portugal continuam a aplicar as suas remessas, que continuam a aumentar não obstante o número de portugueses a saírem para o estrangeiro estarem a recuar. Neste último campo, os dados continuam a indicar a França como a principal fonte das remessas dos emigrantes portugueses, embora o Reino Unido seja agora o principal destino dos novos emigrantes.

Pelos contributos atuais e vindouros, mas também pelas dinâmicas do passado, malgrado as causas e consequências negativas da emigração, o país contínua a ter nos emigrantes importantes catalisadores do seu desenvolvimento, e justos merecedores da nossa profunda admiração e respeito pelas suas trajetórias de vida.